A importância da cultura digital no mercado de trabalho

Enviada em 25/07/2020

“O novo sempre despertou perplexidade e resistência.” Essa afirmativa do psicanalista Sigmund Freud se relaciona com a importância da cultura digital no mercado de trabalho, na medida em que o conhecimento da sociedade sobre a tecnologia ainda apresenta barreiras, o que impede o seu uso consolidado no meio profissional. Essa situação é resultado inegável da mentalidade conservadora, cristalizada no imaginário coletivo, em que os métodos tradicionais ainda predominam no âmbito mercadológico. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar essa problemática, pode-se destacar a educação formal retrógrada e a manutenção dos espaços de poder pela elite dominante.

Primeiramente, é evidente que o sistema educacional arcaico, aliado à estrutura social conservadora, alicerça o quadro de descaso com o uso do conhecimento digital na profissão exercida. É incontestável que essa situação advém do viés conteudista do ensino brasileiro, em que não há a inovação das disciplinas ministradas e dos instrumentos de aprendizagem. Dessa forma, o estudante entra no mercado de trabalho sem o aprendizado digital. Essa realidade se assemelha ao pensamento do educador Paulo Freyre em seu ensaio “Pedagogia do Oprimido”, para o qual a educação tradicional não liberta o individuo, assim ele torna-se um cidadão sem autonomia tecnológica, alheio ao que o mercado necessita e sujeito a exploração.

Além disso, é indubitável que o desejo da alta sociedade em manter seus locais de poder, somado ao pensamento coletivo conservador, aprofunda a desatenção com a cultura digital no mercado trabalhista. Panorama esse que decorre do conhecimento virtual servir como instrumento de poder para uma parcela da sociedade que o utiliza para manipular e explorar os funcionários sem essa cultura digital. Essa conjuntura se relaciona ao ensaio do filosofo francês Michel Foucault “Microfísica do Poder”, no qual demonstra que as relações de poder estão presentes no mercado de trabalho, de modo que a elite digital mantém seus espaços de privilégios.

Diante do exposto, é importante ressaltar que a desconsideração com a cultura digital no mercado profissional tem como origem o pensamento conservador. Para solucionar essa condição infortuna é fundamental que o Governo Federal crie um Programa Nacional de Valorização da Cultura Digital, que em parceria com o Ministério da Educação acrescente na Matriz Curricular Nacional a Disciplina de Educação Virtual, que por meio de aulas teóricas e praticas os alunos aprendam sobre o uso da tecnologia no campo profissional, para não serem explorados. Esse Programa deve ainda através de um Fundo Nacional de Investimento em parceria com as empresas disponibilizar cursos sobre o uso da tecnologia na rotina de trabalho, assim como os ensinamentos jurídicos acerca seus limites.