A importância da cultura digital no mercado de trabalho
Enviada em 01/08/2020
Em meados do século XVIII, a Revolução Industrial inglesa reformulou profundamente a forma de produzir bens de consumo, praticamente excluindo do mercado aqueles que tentavam sobreviver ainda de um sistema ultrapassado de manufatura. De forma análoga, no Brasil contemporâneo, a Revolução Técnico-Científico-Informacional insere a cultura digital no mercado de trabalho e cria, concomitantemente, nocivas desigualdades entre empresas e profissionais. Assim, seja devido à ausência de investimentos estatais ou a métodos de ensino retrógrados, esse problema tem representado um grave entrave à conjuntura socioeconômica nacional.
Inicialmente, deve-se pontuar que as disparidades no acesso às tecnologias de ponta, as quais afetam principalmente as pequenas empresas nacionais, derivam da ausência de subsídios governamentais nesse setor. Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado garantir os direitos naturais e o equilíbrio social, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à inércia estatal, a concorrência com empresas multinacionais e o elevado valor das patentes tecnológicas conduzem à defasagem técnica e à perda de competitividade da iniciativa privada do país. Dessa forma, as inúmeras falências e a desmotivação de empresários tornam tal realidade insustentável.
Ademais, faz-se mister ressaltar o descaso das instituições de ensino para com a introdução dos jovens ao contexto tecnológico do mercado, como causador dos elevados índices de desemprego na era digital. Consoante o educador brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que a utilização de métodos de ensino que limitem o acesso à tecnologia, comum em escolas da rede pública, formam profissionais inseguros e despreparados, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério. Evidencia-se, portanto, a necessidade de alterar esse cenário de modo urgente.
Dessarte, medidas estratégicas devem ser adotadas para mitigar as desigualdades produzidas pela cultura digital no mercado de trabalho. Para isso, necessita-se que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino públicas e privadas, promova a reformulação do currículo escolar básico, por meio da inserção de matérias tecnológicas, como computação e marketing digital, com vistas à familiarização do discente com o ambiente virtual. Espera-se, com isso, proporcionar ao profissional brasileiro um sólido embasamento técnico para enfrentar o competitivo mercado de trabalho globalizado.