A importância da cultura digital no mercado de trabalho
Enviada em 14/08/2020
“O Estagiário”, filme recente norte-americano, aborda a interessante história de Ben, um sexagenário que retorna ao trabalho encontrando dificuldades pelo cenário de intensa informatização. Com efeito, a cultura digital no trabalho tem se tornado regra e deve ser entendida tanto do ponto de vista de sua importância quanto de sua exigência. Tal como posta, a práxis atual cria uma dicotomia ao passo que fomenta o desenvolvimento, mas também a exclusão de uma massa pouco qualificada, em uma realidade, muitas vezes, difícil de superar.
Em primeiro lugar, vale salientar que a cibercultura no trabalho emerge como condição sine qua non para um mundo de economia global. Contudo, ao primar por produtividade e complexidade, sua operacionalização requer uma hiperqualificação, somente detida no Brasil, por parte minoritária da população. Dessa forma, a parcela desprovida de capacitação envolve o que Marx chamou de “superpopulação relativa”, ou seja, a mão de obra precarizada, “uberizada” e por vezes relegada ao subemprego. De todo modo, é uma cultura desenvolvimentista, mas que reproduz as desigualdades presentes em sociedade.
Por outro lado, o aparato da cultura digital é requerido de forma veemente nos mais variados âmbitos, desde o agronegócio até o âmbito das startups e microempresas urbanas. De fato, conforme o pensador Pierre Levy, se esse modo de produção vier acompanhado das condições necessárias à transformação de realidade da vida das pessoas, deixa de servir como um projeto de exploração e passa a trabalhar pela integração social, por meio da conectividade, inventividade e tecnologia. Logo, faz-se necessário viabilizar o caráter transformador desse modelo, dando novo sentido, assim, ao ambiente de trabalho e relações sociais.
Destarte, é fundamental para a resolução dessa problemática que se institua um projeto de transversalização da cultura digital nas escolas básicas e nas empresas, por meio do Ministério da Educação e Secretaria Nacional de Previdência e Trabalho. Dessa maneira, a inclusão de disciplinas de iniciação tecnológica para crianças, a oferta de especializações técnicas para jovens e o financiamento e o subsídio a cursos de capacitação nas empresas serviriam de estímulo às pessoas, com objetivo de fomentar a uma cultura que alie desenvolvimento tecnológico e pessoal. E, assim, evitar-se repetir o exemplo de Ben, preterido por não acompanhar uma prática atual e eficiente para a ascensão profissional e humana.