A importância da cultura digital no mercado de trabalho

Enviada em 06/09/2020

O documentário “Silicon Cowboys” levou, mais uma vez, a cultura digital para o mainstream. Ele registra a jornada de três amigos, desde a fundação da Compaq, em 1981. Ali é mostrado que o sonho humano de criar tecnologias que tornem a conectividade onipresente é tão antigo quanto a alquimia buscando transformar metais comuns em ouro. No entanto, a história ensina que todo avanço tecnológico vem acompanhado de algum anátema – não existem tecnologias neutras, elas trazem impactos positivos e negativos, transformando a civilização.

Em primeiro lugar, a importância da cultura digital é destacada pelo aumento exponencial da tecnologia da informação. Ela multiplicou a produtividade e permitiu que equipes de trabalho, em diferentes fusos horários e países, trabalhassem conectadas. Fato que lembra os benefícios conquistados na Revolução Industrial, quanto ao desenvolvimento de novas tecnologias e ao aumento da produção em menos tempo.

Por outro lado, as morbidades decorrentes das condições de trabalho nas fábricas, no período da história entre os anos de 1760 e 1840, remete às tecnologias digitais e ao mercado atual. De acordo com o Global Human Capital Trends, na era digital, os profissionais estão continuamente “conectados”, trabalham mais horas e adoecem mais. Além disso, muitos se sentem ameaçados em perder os empregos.

Por tudo isso, é imperativo garantir que a importância da cultura digital no mercado se traduza, também, em condições dignas e humanas. Isso significa implantar políticas de gestão de pessoas que respeitem os trabalhadores. Inclui-se aí coisas óbvias como plano de saúde, aposentadoria e férias digitais. Adicionalmente, o Governo Federal, via Ministério da Fazenda, deve oferecer medidas compensatórias de caráter tributário às empresas que demonstrarem a implementação dessas medidas. Dessa forma, executar essas adaptações significará cumprir uma dívida social que as gerações “não digitais", historicamente,  já careciam.