A importância da cultura digital no mercado de trabalho
Enviada em 15/09/2020
“Nada é permanente, exceto a mudança”. O filósofo Heráclito de Éfeso ao redigir essa frase cerca de 500 anos antes de Cristo, transparecia um pensamento grego muito comum naquele contexto. De acordo com os pensadores da época, a eternidade de cosmos só é possível pois suas partes são finitas. Ou seja, o novo depende da deterioração do antigo. .Atualmente, vive-se em uma grande transformação digital. Por consequência, essa mudança se reflete também no mercado de trabalho que, segundo o Fórum Econômico Mundial, foi ainda mais acelerada pela atual crise da COVID-19. Dessa forma, a importância da cultura digital no mercado de trabalho fica evidente. Contudo, a acentuação da desigualdade econômica e a exclusão das pessoas mais velhas desse novo modelo digital são problemas que não podem ser desconsiderados.
Em abril de 2020, o IBGE divulgou uma pesquisa que aponta que 25% dos brasileiros não possui acesso a internet. Tal informação aliada a um contexto de necessidade de implantação digital no mercado de trabalho, tem como resultado uma grave diferença de oportunidades. Visto que, a demanda por profissionais que possuem experiência com o meio digital é maior, a desigualdade socioeconômica entre pessoas que possuem e não acesso a internet tende a aumentar cada vez mais.
Além disso, é indubitável que pessoas nascidas em um cenário imerso na tecnologia possuem uma facilidade muito grande dentro de uma cultura digital. Em contrapartida, a parcela da população mais velha, costuma precisar passar por um processo de aprendizado e transformação muito radical na forma como se era trabalhado. Ademais, o cenário atual é de envelhecimento da população. Segundo o IBGE, estima-se que em 2060 o Brasil terá mais idosos do que jovens. Portanto, a tendência de uma cultura digital pode dificultar o manutenção dos atuais trabalhadores no mercado de trabalho.
Em face do exposto, é imprescindível que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação trabalhe em duas frentes. A primeira delas é o letramento digital, a fim de que as pessoas sem experiência com tecnologias possam adaptar-se ao novo mercado de trabalho. Essas capacitações seriam ministradas por jovens voluntários que buscassem uma mínima experiência no mercado de trabalho e realizadas dentro de ambientes escolares públicos fora de horário de utilização. Já a segunda solução, seria a ampliação de redes de internet gratuitas em ambientes periféricos e públicos somada a planos de subsídio de computadores para uma população carente. Somente assim, a problemática será resolvida e a cultura digital no mercado de trabalho algo saudável sob um viés grego e contemporâneo.