A importância da cultura digital no mercado de trabalho
Enviada em 22/09/2020
No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, o advento das tecnologias digitais, por exemplo, fomentam posturas à margem da democracia. Nesse viés, a importância da cultura digital, no mercado de trabalho, representa ainda enormes desafios. Pode-se dizer, então, que a irrazoável interferência estatal e a forte mentalidade individualista do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.
Primeiramente, deve-se ressaltar a inoperância governamental para combater a precariedade do ensino de informática. Nos termos da Constituição Federal, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à atuação inescrupulosa das autoridades, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, em 2016, cerca de 43% das escolas não ofertavam nenhuma disciplina relacionada ao manuseio de computadores. Dessa forma, geram-se condições favoráveis à má qualificação profissional, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à educação de excelência, são ameaçados.
Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um dos princípios fundamentais da Filosofia Patrístico-Escolástica, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em levantamento realizado pela Revista Exame, verificou-se que os investimentos privados na área de formação digital apresentaram queda abrupta nos últimos anos, tendo em vista a baixa rentabilidade do setor. Logo, desrespeita-se, em nome de interesses individuais, importantes concepções sociais, culturalmente consagradas, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de intenções egoístas.
Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal atuar em favor da população, mediante a gênese de dispositivos legais que assegurem o ensino da utilização das novas tecnologias, a fim de garantir oportunidades de emprego e renda a todos. Ademais, o corpo social deve pressionar os empreendedores a financiarem projetos que viabilizem o acesso às ferramentas digitais, por meio de atos pacíficos e campanhas de mobilização, em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, para possibilitar o progresso inerente à relação ensino-aprendizagem. Assim, obter-se-ão os requisitos mínimos à restauração da soberania civil.