A importância da cultura digital no mercado de trabalho

Enviada em 14/12/2020

Avanço tecnológico, retrocesso humano?

Consoante Klaus Schwab, a 4º Revolução Industrial está acontecendo rapidamente. Robótica, nanotecnologia, realidade aumentada, Big Data, inteligência artificial, impressão 3D, biologia sintética e Internet Of Things estão criando facilidades antes inimagináveis aos indivíduos. Mas poderá essa cultura digital resultar em um mundo distópico como o retratado na visão de mundo Cyberpunk, no qual há um grande aumento do desemprego e da desigualdade social á medida que a tecnologia avança? De acordo com alguns dados, sim.

Um levantamento do Fórum Mundial de 2018 previu que, até 2021, 7 milhões de empregos seriam perdidos por conta da tecnologia. Também há o argumentos de que essa área gere muitos outros, mas o ensino, principalmente da matemática e ciência deveria ser prioridade do governo brasileiro, mas não é, apesar de ser competência essencial para o perfil de profissional na era digital. Ilustração disso é que no ranking do PISA de 2019, de 79 países avaliados, o Brasil ficou em 70º em matemática e 64º em ciências.

Outrossim, uma análise de 2018 do UBS Group mostrou que 80% das 40 principais inovações revolucionárias dos últimos 40 anos foram dirigidas por bilionários. Com isso, a tendência é que, conforme evoluam as tecnologias, haja mais concentração de riquezas na posse de poucas pessoas e a desigualdade social cresça ainda mais se nada for feito a respeito. Ainda, o sistema de imposto de renda nacional contribui para isso, pois mesmo as empresas com maiores distribuições de lucros, são isentas desse imposto.

Portanto, diante do exposto, é possível inferir-se que compete ao Governo Federal antepor a educação básica, melhorando a infraestrutura das escolas, premiando desempenho dos professores e suas qualificações. Além disso, o Ministério da Educação deveria permitir a criação de  cursos de graduação de qualidade e incentivar também os mais velhos a participarem. Isso garantirá uma maior inserção da população diversa no nicho tecnológico. Ademais, cabe também ao Governo Federal cobrar imposto de renda das empresas com maiores distribuições de dividendos para que esse dinheiro seja revertido à educação, saúde e programas sociais, o que auxiliaria a diminuição da pobreza, da concentração de renda e, assim, da desigualdade social.