A importância da cultura digital no mercado de trabalho

Enviada em 03/05/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito à saúde e ao trabalho como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado como ênfase na prática, quando se observa a grande importância que a cultura digital tem no mercado de trabalho, uma vez que o desequilíbrio que a tecnologia acarreta entre a vida pessoal e o trabalho, somado ao desemprego tecnológico, acaba por dificultar a universalização desses direitos sociais tão importantes. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar os grandes problemas que o uso intensivo da tecnologia no cotidiano causa para o profissional. Com tantos meios de conexão disponíveis e com o aumento dos adeptos de “vidas sociais virtuais”, o ser humano se vê conectado à um aparelho 24 horas por dia. Deste modo, o vício e dependência em tecnologia se apresentam com cada vez mais frequência na atualidade. De acordo com uma pesquisa feita pelo BBC News, 1 em cada 4 pessoas está viciada em seu celular. Diante deste cenário, a falta de foco, diante da multiconectividade, pode diminuir a performance profissional, além de causar sérios prejuízos a empresa e à saúde do trabalhador.

Outrossim, é fundamental apontar que a importância da cultura digital no mercado de trabalho é um dos fatores responsáveis pelos altos índices de desemprego no Brasil. Segundo uma pesquisa realizada pelo MGI (McKinsey Global Institute), no Brasil, a automação dos setores da indústria pode impactar negativamente cerca de 16 milhões de empregos. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o direito ao trabalho, o que infelizmente é evidente no país.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo, no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia elabore políticas intensivas de treinamento e desenvolvimento de competências em todos os níveis, auxiliando as pessoas que podem perder seus empregos a se requalificar e se reinventar por meio de palestras e cursos oferecidos gratuitamente, a fim de preparar os profissionais para a abrupta mudança do mercado de trabalho. Ademais, cabe às empresas fornecer assistência psiquiátrica gratuita aos profissionais, para evitar que a tecnologia impacte negativamente na vida pessoal e no ambiente de trabalho do profissional. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.