A importância da cultura digital no mercado de trabalho
Enviada em 01/06/2021
Advindo de um período histórico em que a cultura digital prevalece no imaginário social de parcela significativa da população global, O Dilema das Redes, documentário de 2020, analisa o funcionamento das redes sociais e seu impacto sobre seus usuários, concluindo, ao fim, que a mente humana é incapaz de acompanhar tamanho avanço comunicacional. Da mesma forma, as relações e conceitos de trabalho parecem turbulentos frente ao novo cenário digital, podendo ser citada como exemplo a controversa e, por vezes, precária situação geral dos entregadores e motoristas por aplicativos. Frente análise dos fatos tangentes ao tema, é possível concluir que, embora esporadicamente benéfica, a comunicação digital precariza a vida do trabalhador, afetando suas relações interpessoais e, até mesmo, com a sociedade como um todo.
Em primeiro plano, é importante ressaltar os efeitos decorrentes da contemporânea imensa aproximação entre vida familiar e profissional. Alguns filósofos ao longo da história, sendo Aristóteles e Hannah Arendt célebres exemplos, buscaram destrinchar o âmbito público e privado, traçando suas diferenças e contribuições à formação individual e social. Contudo, a superexposição fomentada nas redes sociais tem tornado demasiadamente tênue a linha que separa os dois campos, sendo a privacidade entre empregado e empregador cada vez mais distante. De modo geral, o profissionalismo tem invadido os horários livres do proletário, sufocando, inclusive, sua liberdade de expressão.
Concomitantemente, para além da precarização da vida psicológica e política da classe trabalhadora, destacam-se as péssimas condições empregatícias daqueles que tem como principal ferramenta de trabalho a tecnologia. Como já rapidamente citado, a situação dos entregadores e motoristas por aplicativos no Brasil tem sido tema controverso, uma vez que, para eles, não há vigência concreta dos direitos trabalhistas, tais quais a delimitação concreta da carga horária e o fundo de garantia. Tomando tal contexto como exemplo, é possível concluir que, sem intermédio de autoridades jurídicas e legislativas, o trabalho por meio da cultura digital tende à instabilidade.
Portanto, para que haja, então, a plena garantia dos Direitos Humanos ao trabalhador, carece a regulamentação do trabalho frente à nova realidade tecnológica. Para tanto, o Poder Legislativo Federal, em conjunto com o Executivo, deve elaborar uma Reforma Trabalhista visando adequar os princípios vigentes à cultura digital. Dessa forma, haverá a melhora da qualidade de vida da classe trabalhadora de modo geral, o que tende a auxiliar, também, o crescimento social como um todo, uma vez que essa é parte constituinte significativa das sociedades contemporâneas e que apenas uma população livre e saudável é capaz de construir democracias igualmente fortalecidas.