A importância da cultura digital no mercado de trabalho
Enviada em 10/06/2021
Segundo o artigo 6.º da Constituição federal, documento normativo com maior relevância nacional, todo cidadão brasileiro possui direito à educação, à saúde e ao trabalho. Entretanto, é evidente que a Carta Magna não é efetiva em sua completude, uma vez que, infelizmente, a cultura digital - detentora de exacerbada relevância no mercado de trabalho - não é exercida de forma adequada no país e caracteriza grave problema para a sociedade verde-amarela. Nesse sentido, essa inadequação advém, inegavelmente, da discrepância em relação ao nível educacional dos grupos sociais e, também, dos crescentes relatos de esgotamento mental dos que fazem parte dessa cultura.
A princípio, é fato que as melhores oportunidades trabalhistas são oferecidas para aqueles com melhor instrução educacional no mundo digital. Diante desse cenário, segundo Pierre Lévy - proeminente filósofo africano - a cultura digital propõe a troca de conhecimento em ampla escala e de forma instantânea. Ocorre que, no Brasil, esse compartilhamento acontece de maneira desigual, tendo em vista que o grupo social com maior prestígio econômico é privilegiado - com melhores fontes de conhecimento e, consequentemente, oportunidades de emprego - em detrimento da parte mais frágil da sociedade, a qual não possui fácil acesso aos meios digitais em que o câmbio de informações é realizado. Assim, em decorrência da desigualdade, os direitos constitucionais à educação e ao trabalho são negligenciados para substancial parcela da população.
Ademais, é válido ressaltar que o crescimento dos casos da síndrome de “Bornout” - exaustão excessiva - estão relacionados com a nova cultura. Desse modo, de acordo com a filósofa brasileira Marilena Chaui, o ser humano age conforme os costumes instaurados no ambiente em que vive. Sob essa óptica, é explícito que as consequências sofridas por quem faz parte dos ambientes em que a competência digital está estabelecida são prejudiciais ao indivíduo. Esse cenário sucede da incapacidade dessa forma cultural de separar trabalho e vida pessoal, expondo o trabalhador a um fluxo constante de informação, que o impede de se desligar das atividades profissionais e, assim, causa a sensação de insuficiência, o que põe em risco sua saúde mental.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para adequar a cultura digital. Logo, é imperioso que o Ministério da Educação, por meio de aulas de informática nas escolas, instrua os estudantes a encontrarem, por conta própria, as informações e oportunidades no meio digital, indicando sites que facilitem essa busca - como plataformas de cursos gratuitos -, com a finalidade de reduzir a desigualdade educacional entre os grupos sociais. Outrossim, é crucial que as empresas conscientizem seus empregados a separarem a vida profissional da pessoal, a fim de preservar sua saúde mental.