A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 28/04/2019
Segundo o filósofo alemão Georg Hegel, a concepção de cultura está relacionada ao comportamento do homem, representando assim a sua relação com os elementos que compõem sua existência, sendo eles o trabalho, a religião, a arte, a ciência, a política etc. A importância do acesso à cultura não se refere somente à formação de uma sociedade, mas também à sua função como constituinte da identidade de uma nação. Com o avanço das mídias sociais obteve-se uma disseminação acirrada dos valores culturais de uma determinada referência dominante. Urge, portanto, a necessidade de discutir o papel da globalização na padronização dos modos de vida.
A formação da identidade cultural de uma determinada nação não pode ser analisada de maneira isolada, mas sim como um processo diretamente interligado ao contexto histórico desse povo. O Romantismo, movimento artístico e cultural emergido no Brasil após a Independência em 1822, teve como principal objetivo a construção da identidade brasileira através da valorização da natureza tropical, do índio e do mestiço. Contudo, atualmente, observa-se um processo inverso com o enaltecimento da cultura exterior em detrimento da brasileira. Alguns fatos notórios são a utilização de expressões em outros idiomas, a busca por canções internacionais, a valorização do cinema hollywoodiano, dentre outros.
A globalização propiciou a rápida interação entre indivíduos de diferentes localidades. Dessa forma, há um estímulo não só da propagação das tradições e tendências cotidianas de uma determinada nação, mas também a aderência à tais hábitos. A influência da mídia através dos jogos, filmes e músicas, a valorização dos produtos estrangeiros e a falta de conhecimento sobre as próprias raízes são alguns fatores que interferem na desvalorização da cultura de um determinado local. Nesse sentido, o processo de globalização age fundindo os costumes de várias regiões do mundo ocasionando uma padronização cultural.
Desta forma, torna-se imprescindível a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. A intervenção do Estado em prol da valorização do nacionalismo se torna concebível a partir do aumento do repasse das verbas para a preservação da cultura nacional, com a aplicação de multas aos municípios que não cumprirem a norma. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação implemente um currículo multicultural com o estabelecimento de diretrizes pedagógicas que evidenciem os saberes populares e a importância do aprendizado da história nacional. Somado a isto, cabe à mídia fomentar o interesse da população pelo tema por meio campanhas de conscientização e propagandas.