A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 28/05/2019
O funk é uma forma de expressão social, manifestada por muitos jovens que buscam retratar a sua realidade e vencer barreiras impostas por uma sociedade que, costumeiramente, estigmatiza o pobre, o negro e a favela. Nesse sentido, perceber o funk como uma forma de manifestação cultural é reconhecer a pluralidade artística brasileira em suas diversas formas, sem distinção de cor, sexo ou classe social. Entretanto, apesar da sua importância, o funk sempre foi alvo de críticas, principalmente devido às letras das músicas, que representam a realidade de quem as compõem. Por isso, para que o funk seja reconhecido como manifesto cultural é necessário que haja uma mudança de paradigmas na sociedade brasileira, e que o mesmo seja visto também como elemento de inclusão social. Primeiramente, constata-se que o funk ainda é um estilo musical marcado pelo preconceito e pela rejeição, advindos das camadas mais abastadas da sociedade. Logo, invariavelmente, em um país que ocupa a décima posição no mundo em termos de desigualdade social, conforme o índice de Gini, é plausível que os temas retratados nessas melodias destoem da realidade vivenciada por muitos brasileiros. Desse modo, o funk proporciona àqueles que foram historicamente excluídos, a oportunidade de expressarem a sua realidade e experiências, e de serem ouvidos pela sociedade, o que é essencial para que ocorra, de fato, uma mudança de paradigmas e de reconhecimento cultural. Além disso, da mesma forma que o funk assume um papel de manifesto – social, político, cultural e de pertencimento -, também gera trabalho, renda e inclusão social. De acordo com matéria veiculada no Nexo Jornal, o funk é o grande empreendimento da favela, gerando empregos para uma cadeia produtiva que abrange desde o cantor, até os vendedores ambulantes de água e cachorro quente, movimentando milhões de reais todos os anos. Assim, o funk não pode ser considerado apenas um ritmo musical, ele é mais que isso, fomenta a reflexão crítica da realidade vivenciada, promove a melhoria da qualidade de vida nas periferias e potencializa a expressão da música.
Portanto, para que o funk seja reconhecido como manifesto cultural do povo brasileiro, o Ministério da Cidadania, através da Secretaria da Cultura, deve promover ações publicitárias que demostrem a face positiva do funk, como um instrumento de inclusão social, trabalho e renda, com a finalidade de desconstruir estereótipos, fomentar o debate e propor uma visão crítica sobre o tema. Essas ações devem ser amplamente divulgadas nas redes sociais, com o objetivo de atingir o maior número possível de pessoas. Consequentemente, espera-se despertar, na população, a empatia e a capacidade de perceber no funk, o seu potencial transformador de vidas, principalmente nas favelas e periferias, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.