A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 20/09/2019
Apenas teoria
Um dos legados mais significativos, consolidado pela Semana da Arte Moderna, foi a afirmação da necessidade de manter concisa a valorização da cultura brasileira, como instrumento de união nacional. No entanto, as premissas teorizadas em 1922 tornam-se fragilizadas, face ao atual cenário brasileiro, marcado pela negligência civil e estatal, em medidas que enfatizem o apreço à construção histórica verde-amarela. Com efeito, essa problemática desrespeita princípios democráticos, a saber, a sensação de pertencimento.
De origem, a tênue importância dada à cultura popular brasileira deve-se, sobretudo, às inclinações na matriz educacional dos cidadãos. Nesse sentido, Paulo Freire afirma que a instrução pedagógica é uma ferramente capaz de despertar aptidões e desenvolver ânsias nos indivíduos. Paradoxalmente, dados como o do ‘‘Jornal Nexo’’ – nos quais afirmam a pouca presença de livros nacionais nas instituições de ensino brasileiras – auxiliam na interpretação de que o atual sistema escolar contribui para o entrave à valorização cultural. Dessa forma, enquanto o acesso à memória nativa for limitada, o progresso de um país apto a enaltecer seu meio social será exceção.
Ademais, a valorização cultural brasileira torna-se ainda mais ameaçada, frente à marginalização de termos democráticos. Isso se evidencia, sobretudo, ao ampliar o olhar sob a própria Carta Magna do país, que garante a preservação integral dos patrimônios históricos materiais e imateriais registrados. Entretanto, casos de destruições à identidade conterrânea, como o incêndio do Museu Nacional, por imprudência de investimentos, expõem a ineficácia do Poder Público na preservação de ideais constitucionais. Assim, essa esfera política se encaixa no que o sociólogo Zygmunt Bauman entende como ‘‘Instituição Zumbi’’: um poder que mantém a sua forma, mas não cumpre o papel social.
Impende, pois, que medidas capazes de aumentar o sentimento pertencimento à pátria sejam desenvolvidas, na prática. Compete, portanto, ao Ministério da Educação reforçar o apoio ao estudo histórico, de forma lúdica, por meio do envio mensais de obras literarias, que enfatizem as heranças culturais do país, como a valorização do folclore. Ao Ministério Público, por sua vez, cabe aumentar investimentos aos diversos programas culturais brasileiros, desde peças teatrais, ao reforço na segurança de instalações históricas, a fim de manter vivo os resquícios biográficos do maior país da América Latina. Por conseguinte, construir-se-á um espaço social fiel à sua construção e, logo, um dos legados, da Semana de 22, deixaria de ser apenas teoria.