A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 21/10/2019

Aquarela do Brasil: diversidade e desordem

Desde o fim do nazismo na Alemanha, estruturas que remetem ao regime, como câmaras de gás e monumentos de exaltação à tortura são preservados. Isso se reflete na tentativa de manter uma memória histórico-popular, com o objetivo que não haver a repetição de fatos que representaram um retrocesso para a nação. Assim como no país europeu, o Brasil mantém danças, festas, costumes, comidas, músicas e monumentos que veiculam tradições e valores passados.No entanto, o significado desses patrimônios para a população não se faz presente. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Sob esse viés, consolida-se o pensamento de Edmund Burke acerca de um povo que não conhece sua a sua história ter tendência a repeti-la, visto que, devido à obsoleta educação existente no país,a população não reconhece símbolos da cultura popular como meios de ensino sobre os impasses passados. Por conseguinte, há a ocorrência de atos de vandalismo, como pichações de estátuas de pessoas consideradas heroínas nacionais, e o descaso governamental em manter patrimônios artísticos-sociais. Este fato é constatado através da queimada no Museu Nacional do Rio de Janeiro em 2018, por falta de manutenção. Isso representa um desserviço com o trabalho dos artistas que lutam para manter a matriz identitária diversa do país.

Convém ressaltar, também,  que, após a Queda do Muro de Berlim em 1989,o mundo sofreu uma abertura para o capitalismo e, por consequência, houve a influência global da indústria de massa.Nesse contexto, se perpetuou a perda da identidade nacional,à medida que empresas de produtos estrangeiros, como o cinema de Hollywood, consolidaram seu mercado e difundiram seus valores no Brasil. Atualmente, isso culmina na desvalorização da cultura popular,apesar de retratarem, muitas vezes, a realidade do país de forma humorada, como no filme " O concurso". Tal realidade pressupõe a inferioridade daquilo que é autóctone, o que é reflexo de uma estrutura colonial pré-existente.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes.Cabe, portanto, ao Ministério da Educação a redefinição da Base Nacional Comum Curricular, com o acréscimo da obrigatoriedade de matérias que relacionem festividades e monumentos tradicionais com a memória histórica, a fim de que haja a conscientização popular sobre a importância de não considerar esses símbolos apenas meios de divertimento momentâneo;e ao Ministério da Cultura a melhor redistribuição de recursos destinados à preservação da matriz popular, através da contratação de gestores financeiros qualificados. Assim, o Brasil se tornará íntegro e democrático.