A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 24/10/2019

Desde a época de sua colonização, o Brasil tem recebido diversos povos e grupos étnicos, cada quais com suas culturas e costumes. Dessa forma, pode-se dizer que se trata de um país extremamente diversificado e acolhedor de todo tipo de cultura. Todavia, é seguro afirmar que há uma disparidade entre a força cultural desses povos, visto que, por se tratar do colonizador, a cultura européia ganha muito mais credibilidade do que aquelas de outras populações dadas como minorias. Sob tal ótica, a cultura brasileira, resultado de diversas misturas entre si, perde sua identidade e a de seu próprio povo em prol de etnias que nem as representam.

Em primeiro lugar, é mister destacar o conceito de violência simbólica, de autoria do sociólogo Pierre Bourdieu, por meio da qual a sociedade é conduzida por uma ideologia dominante, o que a faz com que se anule enquanto ser histórico. Dessarte, muitas das diversas culturas brasileiras são vistas de modo pejorativo, pois a visão do opressor – o europeu colonizador – prevalece em detrimento da visão do oprimido. O que desencadeia no preconceito contra essas minorias.

Outrossim, vale ressaltar que a repressão de povos e culturas promove a exclusão e falta de representatividade. O que pode ser exemplificado com a disciplina escolar de história, na qual há poucas menções à cultura afro-brasileira, enquanto o europeu é visto como o protagonista do Brasil e do mundo. Tal problemática se reflete também na política, em que, mesmo que 55% da população se considere preta, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, apenas 4% dos candidatos eleitos em 2018 são negros.

Assim, para assegurar a importância de todas as culturas e etnias, compete ao Ministério da Educação inserir disciplinas como estudos culturais e étnicos por meio da alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a qual permitirá o descobrimento dos jovens em relação às culturas existentes em seu país tanto como entender suas relevâncias e a importância da representação, para que assim possam compreender e defender suas próprias identidades e não mais as do mundo eurocêntrico.