A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 28/10/2019

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, lamentavelmente, o hodierno cenário dos entraves para estabelecer a importância da cultura popular na construção e valorização da história brasileira: uma inércia que perdura em detrimento do escasso acesso à cultura nacional, além da dignificação cultural somente do local em que se reside. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas ao restringimento local da cultura popular existente em cada região brasileira não só existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, é escasso o conhecimento da população brasileira sobre a pluralidade das tradições existentes como:  a Literatura de Cordel do Nordeste, o Sírio de Nazaré do Norte, a Cavalhada e o Fogareu do Centro-Oeste, a culinária do Sudeste - exemplificando, a moqueca capixaba, pão de queijo mineiro e cuscuz paulista - e o Oktoberfest do Sul. Por conseguinte, tal conjuntura se mostra infeliz e pode-se comparar a citação feita pelo filósofo Rousseau, onde foi defendido que o homem nasce livre, mas se encontra acorrentado por toda parte; tais feitos favorecem na acentuação da problemática.

Faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas ‘‘Memórias Póstumas’’ que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: o atual cenário da valorização de, somente, tradições locais é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Dessa forma, a vivência e o conhecimento sobre a diversidade de saberes e costumes fica restrito somente àquela fração do corpo social que a vivencia e impede o acesso a vasta pluralidade existente no território brasileiro. Tais feitos, em plena era informacional, impulsionam a acentuação da problemática e mostram uma realidade deplorável do século XXI: a prevalência do desinteresse pelo outro.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Assim sendo, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em uma ampla divulgação midiática que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores e alunos que discorra sobre a pluralidade de tradições existentes no Brasil e a importância de conhecê-las, a fim de erradicar a segregação e integralizar as regiões do país. Além disso, é necessário a criação de palestras e campanhas gratuitas que debatam a diversidade de eventos culturais existentes nos estados, com a finalidade de propagá-las à todas as esferas sociais. Somente assim, será dada a devida importância a cultura popular e ocorrerá a valorização da história brasileira.