A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 19/06/2020
“O triste fim de Policarpo Quaresma”, escrito por Lima Barreto, retrata um ufanista brasileiro que acredita ser imprescindível valorizar a cultura nacional, herdada desde os indígenas, e descartar influências estrangeiras. Embora o personagem almejasse uma utopia, ele revelava um problema - a falta de valorização da cultura popular na história do país -, igualmente, isso é observado nos dias atuais. Dessa forma, é imperioso entender seus contribuintes, como influências externas e a abordagem escolar.
Primeiramente, o poder de culturas externas facilita a banalização da nacional, ofuscando a sua importância para a história local. No cenário do mundo globalizado surgiram grandes potências, como os Estados Unidos da América - EUA. Dessa maneira, eles tornam-se referências, o que faz haver uma antropofagia cultural. Segundo Oswald de Andrade, no “Manifesto Antropófago”, é lícito a incorporação de cultura estrangeira, porém é necessário preservar e prezar pela local. No entanto, a valorização da nacional é posta de lado, havendo, praticamente, uma absorção completa da externa. Logo, à medida que há domínio da cultura internacional, a do Brasil é coibida.
Ademais, a metodologia educacional dificulta a estima da cultura brasileira na construção e valorização da história regional. Educar é, em sua etimologia, conduzir a um patamar superior. Desse jeito, Paulo Freire reprovava a forma de educação, afirmando que jogar informações - educação bancária - somente torna o aluno um repetidor, sem participar ativamente da elaboração do conhecimento. Com isso, enquanto as escolas abordarem os conteúdos dessa maneira, o educando não relacionará a importância da cultura com a história do país. Corrobora a sentença, a necessidade de criar leis para que fosse feita a relação entre cultura afro-brasileira e o legado para a História, nas escolas. Nota-se, pois, que o molde de educar não ressalta a cultura popular sendo fundamental.
Medidas, portanto, para minimizar os impactos das influências externas e da educação vertical nessa problemática, são necessárias. Assim, as mídias devem ressaltar a importância de dar atenção para a cultura regional, por meio de programas. Neles, serão expostos a diversidade do país e as tradições, relacionando-as com a formação do Estado, com o afã da sociedade ver que é importante a cultura local. Além disso, as escolas necessitam abordar a cultura nacional como importante, por meio da aprendizagem ativa, como o método aquário. Nela, construirão a relação entre cultura popular e a história, a fim de formarem jovens conscientes. Desse modo, a crítica de Policarpo Quaresma será, parcialmente, distante da realidade brasileira.