A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 08/07/2020
Na composição musical da cantora Sandra de Sá, Olhos coloridos, evidencia-se a exaltação do povo negro brasileiro seguida pela denúncia do racismo estrutural sofrido por esse grupo. Nesse aspecto, é inquestionável a importância da produção cultural popular, uma vez que, assim como a música da célebre cantora tupiniquim, por meio desse instrumento, torna-se possível a construção e a “visibilização” da narrativa de grupos, historicamente, excluídos. Dessa maneira, a partir do reconhecimento coletivo acerca das múltiplas narrativas que compõem a história brasileira e, consequentemente, da valorização dessas narrativas em instituições de ensino será possível sustentar o sentimento de pertencimento nacional de todos cidadãos.
Em uma primeira análise, é importante ressaltar que a produção cultural marginal é essencial no processo de “visibilização” das histórias de minorias sociais, tais como negros, indígenas e mulheres,das quais são pouco explorada no ensino tradicional. Nessa pauta, é possível citar de exemplo o cantor pernambucano Chico Science, o qual, por meio das suas produções, trazia à tona a realidade de indivíduos que extraiam suas fontes de renda dos manguezais da cidade do Recife, reproduzindo, através da música, a história dessa comunidade desconhecida por muitos. Sob outra ótica, segundo o filósofo Pierre Bourdie, as instituições de ensino secundários: escolas priorizam a reprodução da cultura produzida por elites, o que contribui com o desconhecimento de muitos cidadãos acerca de outras realidades que não são aquelas apresentadas. Portante, é essencial que o Estado atue no incentivo da reprodução da arte marginal nos colégios, para que as múltiplas narrativas que compõem a história brasileira sejam ouvidas e abraçadas pela coletividade.
Ademais, é possível apontar o fortalecimento do sentimento de pertencimento à história nacional como uma perspectiva da disseminação da cultura popular, fortificando a relação entre a população e o passada da sua nação. Prova disso foi a Semana de Arte Moderna de 1922, quando artistas incentivaram a produção artísticas inspirada no cenário brasileiro. A partir daí, muitas produções ,como as de Oswald de Andrade, retomavam o período de colonização sob uma ótica crítica, criando uma conexão entre o público e a história de exploração dos nativos que habitavam terras brasileiras.
Por fim, reconhecida a importância da cultura popular na construção e na valorização da história sobretudo das minorias, o Estado deve atuar no incentivo dessa manifestação popular. De primeira, é necessário que o MEC crie um espaço na grade curricular que contemple o ensino de cultura popular, para que as crianças desde cedo entrem em contato com a narrativa de múltiplas minorias. Ademais, um fundo de investimento deve ser criado pelo Estado para incentivo de arte nacional.