A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 08/09/2020

Durante os anos de 1890 e 1937, a capoeira foi proibida no território nacional por ser uma atividade de lazer e prática de resistência dos negros escravizados. Contudo, apesar dela ter conseguido a sua legalização e virado uma patrimônio imaterial da humanidade, outras manifestações ainda são menosprezadas. Sob tal ótica, a falta de apreço às praticas culturais populares prejudica gravemente a valorização da história brasileira, visto que elas são essencial para a formação da identidade nacional e para combater o preconceito.

Inicialmente, para se entender o Brasil, é necessário conhecer todos os povos que o formaram. De acordo com Gilberto Freyre, a miscigenação entre o africano, o português e o indígena foi positiva e fundamental para a formação da cultura nacional. Diante disso, a insuficiência de conhecimento da sociedade sobre a história e as contribuições desses povos para os hábitos populares contrasta com a forte influência do estilo de vida dos Estados Unidos e da Europa devido à globalização. Nesse sentido, os cidadãos consomem, muita das vezes, mais conteúdos sobre esses lugares do que do próprio país, o que prejudica na formação de uma identidade brasileira.

Outrossim, a desvalorização das manifestações populares colabora para a desunião entre os brasileiros. Em consonância com Nelson Mandela, ninguém nasce com aversão a outra pessoa, e se pode ser ensinada a odiar, é capaz, também, de aprender a amar. Paralelamente, segundo Voltaire: “o preconceito é uma opinião sem conhecimento”. Dessa forma, o desprezo a costumes tipicamente nacionais como o funk, frevo e o carnaval provoca um afastamento entre os participantes dessas práticas e os que estão de fora, pois se uma cultura é visto como inferior, os seus membros também são, o que prejudica a fraternidade e o respeito entre diferentes partes da sociedade.

É mister, portanto, tomar medidas que promovam a exaltação de costumes historicamente brasileiros. Logo, cabe as famílias priorizarem em seus momentos de lazer as atividades ligadas à valorização de manifestações populares, por meio da ida a festas locais, compra de produtos artesanais da sua região e doações a projetos de ensino gratuito de artes nacionais (como samba, capoeira, culinária e outros). Ademais, deve ser realizada visitas a museus sobre a cultura indígena e africana. Espera-se, assim, aumentar o conhecimento da população sobre as suas próprias raízes para diminuir o preconceito e fortalecer o sentimento de pertencimento de um povo.