A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 13/08/2020

Desde a fundação da república no Brasil, Oligarquias elitizadas apoderaram-se dos meios de comunicação, e movidos por planos de hegemonia cultural, até hoje, utilizam órgãos da grande mídia para promover seus próprios valores em escala nacional sob intenção de induzir toda uma nação a imaginar uma única cultura representativa do país. Nesse viés, nota-se uma deterioração de todas as tradições festivas brasileiras fora do núcleo promovido em Ipanema, Neblon etc…

Constata-se, a princípio, que tal engenharia social, foi massificada a partir da Era Vargas, quando a promoção nacional e internacional do carnaval carioca e do futebol eram altamente financiadas pelo governo. Em paralelo, identidades regionais sucumbiam-se frequentemente através da justificativa de uma grandeza nacional supostamente de “maior valor”.

A partir do momento em que se deslegitima a cultura de um povo, ela pode ser “fabricada” sob óptica estatal ou de qualquer grupo sobre o controle dos meios de comunicação e cultura. Nesse sentido, o brasileiro passou a viver décadas de uma crise de identidade gerada por uma república anômala. Outrossim, abriu-se espaço para narrativas de má fé, que até a contemporaneidade, propaga certo analfabetismo cultural, o qual um cidadão, mal conhece os fundadores da própria cidade, seus antepassados, qualquer festividade, cerimônia ou tradição que já fora praticada nas proximidades de seu lar. Como efeito social, abriu-se entrada para os conceitos de complexo de Vira-lata e desvalorização da própria existência.

Nesse âmbito, vale ressaltar a frase de Nelson Rodrigues: “O Brasil é muito impopular no Brasil”. Nesse contexto, verifica-se uma necessidade de descentralizar a produção da cultura nacional. Para isso, sugere-se que o Ministério da educação inclua nos currículos escolares de cada município brasileiro a abertura de estudos de cultura local em matérias de história, artes, língua portuguesa etc… e descentralize as grades educacionais do país afim de ressussitar as identidades regionais.