A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 21/08/2020
Durante os séculos XVI a XIX, o Brasil sob domínio português percorre um extenso período de colonização e escravidão. Dessa maneira, acontece o aprisionamento e a escravização não só de indígenas nativos do território, mas também de negros trazidos da África. Nesse contexto, observa-se que a mistura populacional e cultural entre europeus, indígenas e africanos transformaram-se nos pilares que deram origem à cultura brasileira. Portanto, não há dúvidas de que a história social e cultural que os povos nativos e africanos representam, são de imprescindível importância não só para a valorização da história brasileira, mas também para o combate à diminuição dessas populações.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que o trabalho escravo foi utilizado como fonte de extrema riqueza para Portugal. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Darcy Ribeiro, no qual ele enfatiza que o Brasil, como último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca em sua herança, o que torna a classe dominante ainda enferma de desigualdade. Assim, é necessário reconhecer e atribuir a valorização dos povos que resistiram à escravidão durante séculos, e validar a importância que a miscigenação de tantas culturas e etnias trouxe para a diversidade cultural brasileira, diante de uma sociedade que ainda carrega vestígios sociais do preconceito implícito na escravidão.
Em segundo lugar, vale salientar que o período de colonização e a desvalorização social dos grupos indígenas fomentou a diminuição gradativa dessas populações. Diante dessa perspectiva, dados fornecidos pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) apontam que, no século XVI existiam cerca de 3 milhões de indígenas no Brasil, de tal modo que existam apenas aproximadamente 800 mil nativos hodiernamente em território brasileiro. Desse modo, é notório que a redução desses grupos ocorreu de forma rápida e constante, atingindo hoje menos de 1/3 de sua população inicial. Em síntese, é notória a importância de valorizar a existência das populações indígenas que compõem a identidade brasileira, e acentuar sua história social como símbolo de resistência e luta.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a problemática da diminuição das etnias nativas e incentivar sua valorização histórica. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação e da Cultura promover a inclusão do estudo da história indígena e africana, por meio de aulas regulares, palestras e filmes que abordem a educação étnica e cultural, a fim de conscientizar e educar sobre a importância em valorizar a cultura popular. Assim, é de responsabilidade governamental promover a inclusão de projetos sociais voltados às populações indígenas em vulnerabilidade, por meio de auxílio médico e alimentício, visando manter a preservação da vida e da existência desses grupos. Somente assim, haverá um caminho traçado para a valorização das culturas populares brasileiras.