A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 21/08/2020

“O homem é fruto de um processo histórico”. Com esse conceito, o filósofo francês Foucault sincretiza a formação antropológica de uma sociedade, ao destacar a importância histórica para a gênese identitária de um povo, o que inclui seu caráter cultural. Entretanto, devido ao sistema colonialista imposto por Portugal, durante a colonização do país, há uma sobreposição da visão europeia perante às demais fontes de cultura. Logo, apesar do multiculturalismo ser presente, em sua essência, no estado brasileiro, há uma distorção dos valores nacionais, tanto pelo viés histórico, como também pela massificação cultural exercida pelas potências atuais.

Mormente, a imposição dos costumes europeus no período colonialista contribui para a desvalorização do multiculturalismo no Brasil. Sob essa ótica, o artista plástico Flávio Cerqueira, em sua escultura “Amnésia”, mostra uma criança negra despejando sobre si um balde de tinta branca. Do mesmo modo, os portugueses irrelevaram as tradições dos povos nativos e dos oriundos da África, para então exercer o domínio social de sua colônia. Assim, fica evidente a necessidade de reparação histórica dos elementos culturais indígenas e africanos.

Ademais, o cenário hodierno geopolítico mundial cria um espectro polarizador dos modos e costumes nos países periféricos. Nesse sentido, o conceito da “Modernidade Líquida”, do pensador Zygmunt Bauman, expressa a falta de identidade nacional perante o processo de massificação cultural, esse imposto por um sistema de prevalência consumista, advinda do capitalismo financeiro. Destarte, sobrepõe-se as vontade de um povo de modo a se adequar suas escolhas, a fim de aumentar o consumismo exacerbado na sociedade.

Portanto, fica evidente a necessidade de fortalecer as relações multiculturais no Brasil. Para isso, o Governo Federal, sob a figura do Ministério da Educação, deve incentivar a expressão das tradições brasileiras como um todo, por meio da introdução do ensino multicultural nas escolas do país, o que engloba as raízes africanas e indígenas, com o intuito de resgatar a herança histórica da gênese identitária do povo brasileiro, assim como intensificar o exercício do senso crítico brasileiro, fundamental para a constituição de uma sociedade plural e libertária.