A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 16/09/2020

Na série americana “Anne com e” é retratada a história da indígena Ka’kwet, que tem seus elementos culturais negados por colonizadores, contudo, ela e sua tribo continuam a reforçar sua própria importância para a formação identitária da nação. Fora da ficção, no Brasil dos tempos atuais o conhecimento das diferentes populações do país ainda são renegados. Dessa forma, lacunas educacionais e a consequente lenta transformação do pensamento social impactam diretamente na falta de importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira.

Em primeiro plano, pode-se perceber como impasse à consolidação de uma solução as brechas na educação nacional. Conforme Nelson Mandela, apenas o aprendizado é capaz de mudar o mundo, porém, no país, esse conceito apresenta-se relegado a segundo plano, à medida que a relevância dos elementos culturais na formação do Brasil não é abordada por conta da ausência de verbas, já que, de acordo com dados do portal UOL, o investimento em ensino decaiu 56% nos últimos quatro anos, outrossim, sem medidas efetivas, como aulas e palestras que incentivem a valorização da ancestralidade brasileira, torna-se difícil modificar o cenário lamentável de desvalorização desses saberes.

Ademais, a lenta modificação na mentalidade do cidadão brasileiro é um fator determinante para a persistência do problema. Segundo Durkheim, fato social trata-se do pensamento coletivo e suas implicações no cotidiano humano. Sob essa óptica, percebe-se que a questão do construção histórica é fortemente influenciada pelo senso comum, de modo que se o indivíduo cresce inserido em uma sociedade escassa de conhecimento, a tendência é manter esse padrão, o que transforma sua solução em ainda mais complexa. Destarte, é inaceitável que, em pleno século XXI, ainda seja perpetuada a subvalorização cultural, desencadeando o fato de só 6% da população não branca se veja representada na televisão, de acordo com o Instituto Locomotiva.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação e o da Cidadania ajam em parceria e criem eventos e palestras, além de ampliar as preexistentes, por meio de uma divulgação nas redes sociais e nas instituições públicas para aumentar o conhecimento a respeito do tema, em que será possível entender a importância da cultura popular para a formação da identidade nacional. Feito isso, será possível ampliar a valorização de saberes ancestrais, para, assim, verdadeiramente promover bem-estar aos cidadãos.