A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 17/11/2020
Durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, em 2016, músicas, danças e narrativas brasileiras, resultantes das interações entre indígenas, africanos, europeus e imigrantes, foram apresentadas para espectadores do mundo inteiro. A partir desse gesto, manifestações como o samba e a capoeira foram celebradas, contribuindo para a manutenção da identidade nacional. Diante desse contexto, depreende-se que a importância da preservação da cultura é destacada, principalmente, ao se observar sua ação contra as intolerâncias e seu papel na formação dos jovens.
Em primeira análise, percebe-se que a valorização da história popular é fundamental para o respeito às divergências sociais e regionais. Nesse sentido, o Modernismo, escola literária voltada à revisão crítica do passado histórico, teve importante papel no relato da cultura cotidiana brasileira, ao divulgar obras que continham particularidades linguísticas de diferentes populações. Nesse aspecto, os textos literários propiciaram o reconhecimento de elementos culturais oriundos da miscigenação e reforçaram a tolerância e a admiração às diferenças presentes entre estados. Dessa forma, é evidenciado o caráter agregador da divulgação das múltiplas raízes e identidades dessa nação altamente diversificada.
Associado a isso, analisa-se que a juventude, cada vez mais imersa na realidade digital e globalizada, tende a demonstrar uma frágil ligação com a cultura local. Nesse cenário, canções, vestimentas e tradições de outras nações e continentes estão, muitas vezes, mais presentes no dia a dia e na referência de crianças e adolescentes do que as práticas populares e folclóricas regionais. Nessa conjuntura, a exemplo da grande popularização juvenil do pop coreano, estilo musical proveniente da Ásia, a globalização cultural, fenômeno de troca positiva entre diferentes realidades, pode tornar-se um obstáculo para a preservação da identidade local, caso as politicas de manutenção não sejam efetivas.
Portanto, infere-se que a valorização histórica brasileira é necessária para que sejam garantidos o respeito e a proteção das representações identitárias. Desse modo, é preciso que a Secretaria de Cultura de cada estado promova a construção de centros de preservação cultural, por meio de ambientes voltados à aprendizagem prática de ritmos, características culinárias e linhagem histórica de cada povo, com enfoque para as contribuições derivadas da África e das populações nativas e visando à interação entre centros de diferentes localidades do Brasil, a fim de que concretizem-se a perpetuação e o reconhecimento dos hábitos e costumes populares.