A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 21/11/2020
A Semana de Arte Moderna, ocorrida em 1922 na cidade de São Paulo, possuía como objetivo a ruptura com os valores da arte europeia e o aumento da valorização nacional. Contudo, embora o movimento contasse com grandes nomes da época, o público conservador não reagiu da maneira esperada pelos artistas e até mesmo hoje a exaltação da cultura popular para valorizar a história brasileira enfrenta empecilhos. Nesse cenário, é preciso entender as causas dessa problemática e as consequências dessa realidade para a vida local.
Em primeiro momento, faz-se necessário compreender os fatores responsáveis por intensificar essa desvalorização. Assim, consoante aos filósofos Adorno e Horkheimer, fundadores da Escola de Frankfurt, o mundo encontra-se submetido a uma “Indústria Cultural”. Nesse viés, quando comparado a valores individuais, os interesses financeiros tendem sempre a se sobressair, pois o que atrai uma maior camada populacional é mais vantajoso a ser produzido. Dessa forma, o globo se vê condenado a consumir produtos de países mais fortes economicamente, cenário que provoca uma massificação cultural. Logo, nota-se a influência da globalização na atual conjuntura brasileira, o que ressalta a importância de valorização da histórica.
Por conseguinte, é imprescindível pontuar os impactos notados quando essa cultura torna-se refém do chamado “complexo vira-lata”, ou seja, consome a cultura globalizada em detrimento da própria. Assim sendo, de acordo com o sociólogo Darcy Ribeiro, o Brasil constituiu suas bases sob a influência de três povos - europeus, indígenas e africanos. Entretanto, no âmbito sociocultural estes não se equiparam à aqueles, o que denota as mazelas no processo de admiração da heterogeneidade do país. À vista disso, a cultura brasileira (principalmente negra e de regiões consideradas marginalizadas, tal como o nordeste), em muitos casos, sofre com a desvalorização do povo que não reconhece o sucesso de artistas nacionais. Mediante a isso, urge a emergência de se libertar desse “vira-latismo”.
Diante do exposto, é nítida a demanda por meios que solucionem essa questão. Portanto, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Educação, transmitir desde as fases primordiais de letramento educacional a indispensabilidade de enaltecimento da diversidade, por meio de palestras com especialistas no assunto e/ou pela inserção de uma nova disciplina, a qual vise ensinar acerca da pluralidade do território nacional e da relevância disso no meio étnico, com o fito de criar um sentimento patriota fundamentado no enaltecimento das dessemelhanças. Somente assim, cerca de cem anos depois, poderão ser colocados em prática os valores transmitidos pelo movimento Modernista.