A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 26/11/2020

Em 1922, a Semana da Arte Moderna representou a renovação do contexto cultural brasileiro, pois rompeu com padrões estéticos europeus e consolidou a cultura tupiniquim. Entretanto, verifica-se a a pouca valorização da cultura popular devido a falta de reconhecimento da identidade nacional e a supressão de particularidades regionais. Em face disso, é de suma importância que, assim como no nacionalismo modernista, estratégias sejam adotadas para prestigiar a cultura popular que alicerça a história brasileira.

A princípio, convém ressaltar que valorizar a identidade de um país é inseri-lo no cenário mundial. Nessa lógica, a Política Desenvolvimentista, durante o governo de Juscelino Kubitschek, na década de 1950, possuía como propósito não só promover o desenvolvimento econômico, como também fomentar a inserção da cultura brasileira no contexto global. Ademais, o plano “Cinquenta Anos em Cinco” - marca do desenvolvimentismo - esteve presente nas artes, sobretudo na Música Popular Brasileira, com a consolidação do estilo musical Bossa Nova. Desse modo, nota-se que a identidade do Brasil está  intimamente relacionada com acontecimentos políticos e, por conseguinte, com a história do país.

Outrossim, é possível destacar que a cultura popular caracteriza a diversidade de costumes e é o fator que unifica o país. Sob tal ótica, no livro “Campo Geral”, Guimarães Rosa, por meio do regionalismo universalista, exalta as particularidades sociais do sertão, como os dialetos e as crenças locais, revelando que a sabedoria popular está conectada com as raízes culturais. Paralelamente a isso, percebe-se que tal preceito também está inserido nas ideias de Darcy Ribeiro, em “O Povo Brasileiro”, que afirma que a unidade cultural do Brasil existe, paradoxalmente, na multiplicidade. Logo, a obra Roseana resgata e dá protagonismo às crendices, saberes e religiões que compõem um dos “Brasis” de Darcy e, em decorrência disso, oferece luz à realidade do país.

Urge, portanto, que o Estado realize ações que visem valorizar a história do Brasil impressa na cultura popular rica e heterogênea. Dessa maneira, cabe às Secretarias de Cultura, criar festivais culturais como de música, teatro e danças que ilustrem obras populares clássicas e inovadoras, para que seja dado espaço à preservação da identidade nacional e ao resgate de culturas regionais. Isso será feito mediante um pacote de medidas a serem incluídas na Lei Plurianual - lei orçamentária definidora de metas para o orçamento público - a saber: parcerias com Companhias de artistas amadores e profissionais, intervenções em espaços públicos e shows itinerantes. Assim, o nacionalismo de 1922 será colocado em prática e a história brasileira será valorizada.