A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 06/12/2020
O carnaval brasileiro é responsável pela circulação de milhões de reais por ano proveniente do turismo mundial. A festa popular que tem sua origem no samba, ritmo que foi criminalizado e hoje é um dos principais símbolos culturais do país. Paralelo a isso, o Brasil teve sua formação influenciada por culturas diversas, principalmente de raízes indígenas e africanas, com isso a cultura tornou-se múltipla. Dessa forma, a origem e a marginalização da cultura popular dever ser entendida a fim de que, através dela, construa-se uma valorização histórica brasileira.
Em primeiro lugar, é preciso observar a questão de maneira pragmática. Em 1922, a semana de arte moderna deu inicio ao modernismo brasileiro que tinha o objetivo de romper com as vanguardas europeias e criar uma indenidade nacional própria. Seguindo essa linha de pensando, Anita Malfatti, uma das pioneiras do movimento sofreu críticas severas de artista renomados como Monteiro Lobato assim sendo, cria-se uma falsa ideia que a arte criada no Brasil é pobre ou deselegante, haja vista que o modernismo contraria a métrica clássica, entretanto, não torna-o inferior e é por meio dele que forma-se uma identidade nacional rica e diversa, porém, ridicularizada.
Ademais, é necessário analisar as dimensões territoriais e a miscigenação brasileira. Segundo o psicólogo Lev Vygotsky, a desigualdade na voz condena pessoas, grupos e até países a inexistência. Sob tal ótica, partindo do principio da multiplicidade brasileira, tentar padronizar a arte nacional é assassinar culturas diversas. Um exemplo disso é a romanização do MPB e a marginalização do Funk - ritmos feitos por diferentes realidades. Além disso, o próprio nome Musica Popular Brasileira foi consagrado porque a Bossa Nova foi aceita pelos europeus, dessa maneira, confirma a ideia de que o belo é o clássico ou aquele que foi aceito por ele, inviabilizando a valorização da história brasileira real e diversa.
Logo, nota-se que a glamourização da arte europeia e a desigualdade das artes brasileira impossibilita a manifestação cultural plural e inviabiliza a valorização da história, portanto, a fim de possibilitar a identificação nacional, medidas são necessárias. Para tanto, é dever do Estado, na figura do Ministério da Educação, a implantação da matéria Habilidades Artísticas nas escolas para que por meio dessa disciplina seja ensinada as crianças a pluralidade brasileira e a desglamourização da arte internacional para que o aluno entenda que a produção artística brasileira também é de qualidade e muito rica, além de retratar as múltiplas realidades, inclusive a dele e com isso aconteça a identificação e, por fim, a valorização a cultura nacional e, consequentemente, a história brasileira.