A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 07/02/2021
Em 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) promulgou a Declaração Universal dos Direitos Humanos,que estabeleceu como premissa o respeito mútuo entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro hodierno, observa-se justamente um desrepeito à importância da cultura popular na construção e na valorização da história nacional. Nesse viés, faz-se necessário adotar medidas para alterar essa conjuntura, que possui como causas o legado histórico e a omissão estatal. A princípio, o legado histórico de colônia de exploração da nação verde-amarela apresenta-se como um cruel empecilho para construção e para valorização da cultura popular. Nesse viés, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss defende que só é possível intrepretar ações coletivas analisando-se os fatos históricos. Similarmente, a problemática da preservação da cultura nacional possui estreita relação com as raízes intrínsecas do passado brasileiro, uma vez que, desde o fatídico descobrimento do Brasil, os colonizadores europeus desprezaram e subjulgaram os costumes dos habitantes nativos. Então, perpetua-se, conforme o antropólogo, um legado nocivo de indiferença a essa representação do patrimônio imaterial da nação: a desvalorização histórica das manisfestações culturais brasileiras.
Ademais, o Estado se mostra omisso à necessidade de preservação da cultura popular. Nesse sentido, o filósofo iluminista John Locke disserta que os indivíduos confiam seus direitos ao Estado, o qual, em contrapartida, deve - ou deveria - garantir o exercício pleno desses. Entretanto, o poder publico, que deveria difundir a importância dos elementos culturais e históricos do Brasil, como forma de protegê-los, permance inerte e incapaz de cumprir com a ideologia do filósofo, e essa situação reflete em grave obstáculo para reconstrução e para exaltação das memórias nacionais do povo brasileiro. Logo, enquanto a omissão estatal se mantiver no país, a nação será obrigada a conviver com uma severa mazela social, segundo Locke: a desconsideração da cultura popular nacional.
Portanto, para se garantir o ideal de respeito mútuo esculpido na declaração das Nações Unidas, o Ministério da Educação, como ente responsável pela política de educação pública, deve, com urgência, promover a atualização dos livros didáticos de história, por meio da inclusão de temas que comprovem a importância de salvaguardar o legado histórico nacional, para que seja descontruído os entraves para preservação da cultura popular. Por sua vez, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão incumbido do exercício da cidadania no país, promover campanha de conscientização social, por meio de debates na TV, rádio e mídias sociais, a fim de agir ativamente na sensibilização da população para valorização dos elementos históricos que compõem a cultura brasileira. Destarte, o Brasil poderá alcançar o status de nação livre, justa e solidária e também de Estado Democrático de Direito.