A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 01/06/2021

A Semana de Arte Moderna buscou revolucionar as obras artísticas do período, com o intuito de valorizar a cultura verde-amarela. No entanto, do século XX ao mundo hodierno, esse sentimento de valorização cultural brasileira se perdeu- fato que escancara o aumento da ‘coisificação’ de aspectos singulares nacionais e, também, da negligência com a história do Brasil. Nesse cenário de retrocesso, é inestimável reverter o ínfimo modo de pensar que desvaloriza acontecimentos sociohistóricos e superestima expressões culturais estrangeiras, visando permitir a construção/manutenção da identidade brasileira.

Diante da produção em série da cultura, o sentimento apreciador dos aspectos culturais é homogeneizado. Sob essa maléfica óptica, cabe citar o fenômeno da Industria Cultural-conceituado na Escola de Frankfurt-o qual diz respeito ao consumo em massa gerado pela ação midiática no corpo social. Ou seja, os brasileiros são ‘bombardeados’ com informações e, ao serem influenciados por elas, consomem produtos de outras nações sem refletir sobre suas atitudes, tornando-se alienados e usuários da cultura alheia. Nesse prisma, as populares características verde-amarelas perdem seu valor  e, por consequência, são negligenciadas pelo povo. Logo, a fim de dar a devida importância para a singular cultura brasileira, medidas interventivas são urgidas.

Outrossim, na medida que não há a valorização da cultura nativa, há a perda de aspectos identitários. Seguindo esse raciocínio, vale mencionar  a tradição de ‘‘pular sete ondinhas’’ na passagem de um ano, tal prática possui raízes africanas e o significado é trazer sorte e força para superar as dificuldades futuras. Nesse sentido de diversidade, o sociólogo Floristan Fernandes afirma a existência do sincretismo cultural no Brasil, pois as características brasileiras são produtos da fusão de três expressões culturais distintas- portuguesa, africana e aborígena. Dessa maneira, a única identidade dos brasileiros deve ser valorizada, uma vez que foi concebida pela miscigenação secular, além de ser fruto de conflitos revolucionários, como a Confederação dos Alfaiates na Bahia. Desse modo, ações interventivas são clamadas para tornar a cultura verde-amarela vívida e contínua.

Infere-se, portanto, que há mazelas desvalorizadoras da singularidade deste país e, também, necessidade de medidas que ilustrem a pluralidade do Brasil. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação inserir, em parceria com a coordenação pedagógica das redes de ensino, uma aula na Base Nacional Comum Curricular, com o objetivo de preparar os estudantes para filtrar informações oriundas da Indústria Cultural. Tal disciplina seria realizada semanalmente por um professor de sociologia e um perito em tecnologia, visando abranger campos distintos que conectam-se para formar adultos críticos.