A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 09/07/2021
A Constituição Federal, documento federativo mais importante do país, prevê em seus artigos 215 e 216, a defesa da cultura popular na legislação. Entretanto, a sociedade contemporânea enfrenta grandes dilemas a respeito da importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira. Sendo assim, infere-se que a desvalorização das práticas culturais dos povos e comunidades tradicionais do Brasil, somada a ausência da cultura nas salas de aula, fomenta a problemática em questão. Logo, medidas são necessárias para resolução do impasse.
Em primeira instância, é valido retornar às consequências da desvalorização da cultura dos povos tradicionais brasileiros. Assim, o Brasil é considerado um território multicultural, por conter uma grande variedade de povos e etnias. Contudo, as práticas de matriz africana e os povos indígenas sofrem constantemente violências por parte da sociedade e do Estado. Exemplificando, os quilombos africanos ainda carecem de recursos básicos para sua sobrevivência e os nativos brasileiros lutam diariamente pelo direito da sua terra de origem. Dessa forma, o intelectual jamaicano Stuart Hall analisou que o enfraquecimento das identidades nacionais gera uma crise no modelo tradicional de identidade, que é substituído por descentralizadas formas de identificação. Portanto, a falta de notoriedade sofrida pela cultura tradicional é uma celeuma que urge ser solucionada.
Outrossim, é imperativo pontuar que a ausência da cultura popular dentro das salas de aula é um fator primordial. Desse modo, analisa-se que o ensino positivista do país não visa utilizar a cultura como um mecanismo educacional. Por conseguinte, os alunos não têm contato com os costumes e tradições dos povos que integram sua própria nação. Dessa maneira, a efetivação de medidas como a Lei 10.639/03, que orienta o ensino da história e cultura afro-brasileira, é comprometida. Assim sendo, conforme a tese de Antonio Gramsci, intelectual do século XX, a transformação social passa pela reorganização do processo educacional. Por isso, é imprescindível que, para completa resolução do exposto, a didática das salas de aula seja repensada.
Em síntese, medidas são necessárias para a resolução dos impasses sobre a importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira. Para tanto, as escolas devem colocar seus alunos em contato com as diversas manifestações culturais de seu país. Isso será feito pelo intermédio
de palestras ministradas por historiadores e representantes das comunidades tradicionais e pela realização de visitas técnicas a museus e espaços culturais, com o fito de explanar a diversidade existente de costumes e povos. Desse modo, a cultura e história brasileira será valorizada e consolidada.