A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 15/07/2021
A Carta de Pero Vaz de Caminha, conhecida como “certidão de nascimento” do Brasil, já revelava o ideal predatório durante o período da conquista. Desde então, a utilização da cultura popular no país é vista como mecanismo de resistência e de construção da história nacional. Hodiernamente, os resquícios de uma formação eurocêntrica ainda são sentidos. Contudo, o anseio popular na consolidação das suas expressões remonta a ânsia de exaltação à vastissíma cultura nacional.
Em primeiro momento, sob o ideal da cristandade, a cultura indígena, diversa e complexa, foi dizimada. Sobre as ocas foram construídos os alteres, sobre as rezas, foram impostos os cultos aos santos e sobre os dialetos, foi imposto o português. Nesse contexto, o Eurocentrismo foi sendo consolidado na estrutura e na formação desse novo povo. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Culturais da Universidade de São Paulo, apenas no ano de 2019, o consumo de obras cinematográficas oriundas de países Europeus e Norte-Americanos cresceu mais de 40% no país. Em contrapartida, houve um decréscimo em mais de 20% da procura pelo cinema nacional. Portanto, ainda vigora na mentalidade nacional a supervalorização do Europeu e a subvalorização da cultura nacional.
Ademais, insta mencionar o descrédito as produções nacionais pelo próprio Estado brasileiro. O novo Ministro da Cultura, Mario Frias, recentemente em suas redes sociais causou polêmica ao chamar parcela dos artistas nacionais de “sanguessugas do dinheiro público”. Apesar do cenário caótico, temas como: resistência do movimento negro, ditadura militar e golpe contra a presidente Dilma Roussef, são temas de documentários premidos que retratam as realidades do Brasil. Nessa conjuntura, as produções independentes - voltadas ao youtube, instagram e facebook e plataformas como a netflix - cresceram mais de 60% nos últimos 10 anos, é o que destaca uma pesquisa realizada pela Faculdade de Cinema da UFMG.
Dessa forma, é fundamental que o Estado se posicione de maneira efetiva na distribuição de recursos que valorizem a cultura nacional. Para tanto, cabe ao Ministério da Cultura, fomentar os investimentos em museus municipais, produções de cinema, crédito aos teatros e, principalmente, garantir ao acesso da população mais carente a esses locais. Ademais, o papel da escola é extremamente importante, pode-se, por exemplo, criar oficinas que visem a difusão da cultura local: músicas, gastronomia, história. Cabe ainda, a intensificação de palestra nos bairros que contem com a participação de moradores idosos das localidades, com vista a valorizar a história oral e propagá-la para todos os públicos. Assim, poderá ser construído dentro do Brasil um ideal nacionalista que valorize a história e a cultura do país.