A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 15/08/2021

O termo “Complexo de vira-lata”, do escritor brasileiro Nelson Rodrigues, baseia-se na ideia de que o brasileiro se coloca, de forma voluntária, inferior ao resto do mundo. Fora da alusão, observa-se que a ideia perpetuasse na atualidade, visto que a desvalorização da cultura popular brasileira é deflagrada devido ao descuido que a sociedade tupiniquim mostra frente a construção histórica do país. Nessa perspectiva, torna-se evidente que a concretude desse problema vem em virtude do legado histórico intrínseco as raízes de formação do Brasil e pela ação faltante da base educacional.

Convém ressaltar, a princípio, que o legado histórico é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Cláude-Lévi Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. No processo de conquista do Brasil, a ideia eurocentrista foi a base de formação do país que se conhece hoje, a valorização dos costumes de caráter europeu e a negligenciação das culturas minoritárias aqui pré-existentes e que vieram e geraram esse país miscigenado, são os motivos que explicam o porque do complexo de inferioridade e obstrução coletiva dos valores e da diversificação das culturas presentes no seio desse território.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a base educacional. Segundo o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Nesse sentido, percebe-se que a coletividade desvinculasse do passado de formação do país, dado que as escolas dão mais importância a cultura internacional - massificada e amplamente difundidade pela mídia - limitando, dessa maneira, o contato cultural com as raízes da terra verde amarela. O documentário “Raízes do Brasil”, mostra à falta de estudos nos centros educacionais de ensino sobre à história dos povos indígenas e africanos, povos e culturas representativas do Brasil, que tem sido esquecidos e com isso intensificam o processo de dissolução do identitário nacional.

É indubitável, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, o Ministério da Educação, órgão responsável pela seguridade dos direitos educacionais dos cidadãos, juntamente com as prefeituras, devem por meio da atualização do Plano Nacional de Educação, acrescentar na carga horário escolar, aulas obrigatórias sobre a história dos povos indígenas e africanos, e todos os outros povos que compõe a diversidade brasileira, a fim de exaltar à importância desses povos na estruturação e identidade do país, com isso dando a devida valorização as culturas formadoras e legitimadoras do que é ser brasileiro.