A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 27/09/2021
A princípio, toda estruturação econômica, política e social vivenciada atualmente, é reflexo das decisões e medidas realizadas desde o “achamento” do Brasil, em 1500, como o extrativismo vegetal, trabalho escravo, monocultura de exploração e desigualdade social. Portanto, cada região do país recebeu influências distintas, relacionas ao tipo de produção existente no local, ás invasões, imigrações, revoltas e aos recursos minerais. Logo, a importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira é abrangente, visto que retrata a pluralidade cultural, e a capacidade de transformar a realidade das populações de cada localidade.
Nesse sentido, a principal cultura popular transmitida socialmente são as folclóricas, isto é, conjunto de lendas, contos e mitos sobre criaturas fantásticas, que habitam o imaginário dos povos tradicionais, e que participam da vivência de diversos povos indígenas e africanos. Desse modo, o compartilhamento dessas histórias buscava ensinar os indivíduos sobre diversos parâmetros da vida, como a preservação das florestas -Curupira-, a justificativa da gravidez em mulheres solteiras -Boto-cor-de-rosa-, além da demonstração de força do povo negro -Saci-pererê- que possui apenas uma perna, pois teve de cortar a outra para conseguir fugir da escravidão.
Ademais, o sociólogo Florestan Fernandes, ao analisar o sistema educacional brasileiro, defendeu o ideal de que o ensino público deveria ser uma ação transformadora da sociedade, a fim de desenvolver a criatividade e libertar os indivíduos dos mecanismos de dominação das classes dominantes. Assim, o compartilhamento da cultura popular promove a quebra do padrão da grade escolar de reprodutora de matérias tidas como “mais importantes” -matemática, química e física- e estimula o conhecimento de histórias desvalorizadas e do modo de vivenciá-las pelas diversos populações brasileiras, relacionadas á destruição da natureza, racismo e patriarcalismo.
Afinal, é imperioso para a manutenção da memória da cultura popular, e sua importância na construção e valorização da história brasileira, que o Ministério da Educação institua o aumento da carga horária das aulas de história, sociologia e filosofia. Para isso, torna-se necessário a contratação de professores, recém-formados das Universidades Públicas de cada região, referente a cada área do conhecimento. O intúito desse processo é de aumentar a divulgação da cultura popular de cada região do Brasil -Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul- com a própria culinária, religiosidade e estética. Somado a isso, é essencial a participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no compartilhamento de informações, oferecidos pelos sites e unidades. Somente assim, ocorrerá a valorização da riqueza nacional que perpassa os recursos naturais.