A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 14/10/2021
A música “Querelas do Brasil” de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, traz uma reflexão sobre o tema da aculturação brasileira. A priori, seu título referencia “Aquarela do Brasil”, de Ari Barroso, mas só por um trocadilho, visto que o significado de “querela”, no dicionário Aurélio, é discussão. Portanto, anuncia, no lugar da pura exaltação das belezas e folclore, um acréscimo de problematização, como a falta de identidade cultural no Brasil. De fato, o que se observa é um desconhecimento da produção nacional, por um lado, por causa das precárias condições econômicas de grande parte da população, que mal tem como acessar serviços básicos, como alimentação e moradia. Por outro lado, pela desvalorização que a cultura nacional sofre, dentro do próprio país, por ser considerada inferior quando comparada à estrangeira. Urge então uma mudança, como disse o sociólogo Herbert de Sousa: “Um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência, muda sim pela sua cultura”.
Primeiramente, a cultura no Brasil é alcançada somente pelas classes mais altas, visto que, ter acesso a ela é caro e muitas vezes os indivíduos de baixa renda, nunca foram incentivados a valorizar a arte. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 32% da população depende de atividades gratuitas para esse acesso, evidenciando a grande desigualdade social. No entanto, é importante melhorar além das condições socioeconômicas, as condições educacionais, pois diferente ao que fez César, imperador de Roma, quando disse: “Dê Pão e Circo ao Povo", a cultura passa por questões ligadas à educação e essa por sua vez passa por questões ligadas ao desenvolvimento socioeconômico.
Somado a isso, os cidadãos do país sofrem de um “complexo de vira-lata”, expressão criada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues para explicar o comportamento brasileiro de sempre valorizar mais o que é estrangeiro, assim como na máxima, “só me interessa o que não é meu”, presente no Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade. Fica claro, portanto, que é necessário um incentivo maior à valorização do nacional e cabe às escolas desenvolverem esse senso em seus alunos.
Portanto, depreende-se a necessidade de medidas que melhorem o acesso à produção cultural nacional e sua valorização. Para tal, cabe ao Ministério da Cidadania, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, promoverem e custearem eventos gratuitos em locais públicos, ligados à cultura, com a finalidade de democratizar essas atividades. Por fim, cabe ao Ministério da Educação implementar nas escolas, no plano pedagógico de ensino, aulas interdisciplinares, relacionadas à cultura e ao folclore nacional. Assim, colocar em prática o último verso da canção “ Do Brasil, s.o.s ao Brasil“, visto que, só o Brasil pode socorrer o Brasil contra si mesmo, se conhecer, se merecer.