A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 03/11/2021
O filósofo alemão Hegel defendeu que a cultura, principalmente as manifestações artísticas, expressa traços do seu tempo histórico e possibilita a interação entre receptores de momentos distintos, levando a um processo de autoconhecimento social. Todavia, na sociedade brasileira contemporânea, os jovens estudantes são quotidianamente submetidos a uma lógica consumista, transmitida pelas mídias, que inviabiliza o conhecimento do vasto patrimônio cultural popular do Brasil e sua relação com a história do país, impedindo a compreensão e solução de seus dilemas.
Em primeiro lugar, é oportuno salientar que no capitalismo atual a noção de cultura está contaminada por produtos vazios de conteúdo histórico e que são vendidos pelos canais de comunicação tradicionais e pelas redes sociais. Sob essa ótica, tem-se, conforme explicou Theodor W. Adorno, uma “Indústria Cultural”, na qual as produções de sucesso não são dedicadas ao aprimoramento pessoal e ao conhecimento crítico da realidade, mas ao consumo rápido e anestesiante. Logo, os alunos brasileiros que são expostos a essa indústria tendem, se nada for feito, a ignorar a existência das muitas manifestações culturais particulares do Brasil e sua inegável valia.
Por conseguinte, corre-se o risco de a juventude nacional crescer alienada das questões sociais do país, uma vez que a diversidade cultural que lhe pertence é fruto de sua formação enquanto nação e todos os seus impasses. Assim sendo, compreender e superar os obstáculos inerentes à continuidade dessa construção pressupõe o conhecimento histórico de suas origens. É o caso do racismo que, durante o Brasil colonial, adveio da inferiorização do povo preto, inclusive culturalmente, para submetê-los ao trabalho escravo e estruturar a economia do período. Trata-se, pois, de um caso de instrumentalização do ser humano cujas consequências ainda podem ser observadas. Nesse sentido, tolerar um corpo social alheio à sua gênese é permitir a manutenção de comportamentos excludentes. Essa situação, certamente, configura-se como desagregadora e não pode ser negligenciada.
Destarte, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas dos setores público e privado, formular uma política nacional específica para a educação cultural dos alunos dos ensinos fundamental e médio, por meio da qual ficará determinado que eles deverão participar de atividades investigativas acerca do nascimento de práticas culturais populares regionais e nacionais, bem como, com o auxílio dos professores, elaborar seus próprios juízos sobre essas manifestações e seus significados para o mundo atual, fazendo frente, portanto, à cultura de consumo superficial das redes e propagandas. Espera-se, com essa medida, que fique claro para eles a importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira.