A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 17/11/2021
No centro do picadeiro, o apresentador anuncia: “Atenção! Respeitável público! Vai começar o maior espetáculo da Terra! O circo já chegou”. Dessemelhante do contexto da arena, a cultura circense no Brasil atravessa uma crise de popularidade. Sob essa perspectiva, faz-se necessário analisar os aspectos que sustentam essa decadência, a saber, a carência de políticas assertivas do Estado e a concorrência com outros tipos de entretenimento. Logo, medidas e atitudes precisam ser efetivadas como forma de resgatar essa arte no Brasil.
Impende ressaltar, sob a ótica do pacto social de Thomas Hobbes, que o Estado existe para proteger e assegurar o bem comum aos cidadãos. Contudo, é flagrante a quebra desse contrato social, na medida em que esse ente torna pontual e tardio a política nacional de apoio ao circo, a exemplo das 39 ações contidas no projeto de lei 3486 de 2019. Esse contexto de inoperância das esferas de poder é uma das razões para o declínio da popularidade do circo. Destarte, diante desse esfacelamento do “palco”, é imperativo que o corpo social saia do estado inercial e cobre projetos assertivos que firmem políticas de Estado e não de um governo, para resgatar o “espetáculo” e fazer jus ao ideal de Hobbes.
Paralelamente à falta do Estado em exercer o seu papel, é igualmente preciso apontar a perda de espaço do circo para os serviços de “streams”, televisão e internet. Posto isso, um levantamento da BBC-Brasil, em 2017, revelou que das duas mil lonas montadas no país, a crise bateu à porta e reduziu a plateia, não raro, pela metade. Sob tal aspecto, é relevante destacar que essa decaída gera um custo à cultura brasileira, visto ser o saber circense instrumento de conhecimento intelectual e cultural, além de desenvolvimento pessoal e da criatividade. Dessa forma, é contraproducente que esse quadro nefasto continue a perdurar.
A fim de desconstruir esse cenário de debandada do público das arenas, faz-se crucial salvaguardar o circo enquanto espaço de educação e cultura. Dessarte, visando garantir os espaços circenses como fomentadores da cultura no Brasil, é preciso que a esfera pública, no papel da Fundação Nacional de Artes (Funarte), valide sua função inerente, por intermédio de políticas permanentes de apoio e formação técnica especializada dos artistas de circo para atuarem ante as formas de entretenimento que hoje esvaziam essa atração. Nesse ínterim, pode-se conjugar a essa política campanhas de sensibilização nas escolas e mídias, além de programas de circulação de eventos nas cidades, em parceria com o Ministério do Turismo, para firmar esse elemento da construção do imaginário da população brasileira. A partir de ações como essas, espera-se que o aceno, “respeitável público”, alerte continuamente os ouvidos dos espectadores do “maior espetáculo da Terra.”