A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 14/08/2022
O complexo de vira lata teorizado pelo escritor Nelson Rodrigues, visualiza o brasileiro como um “Narciso às avessas”, a medida que, inferioriza
sua cultura e ao mesmo tempo superestima o estrangeiro. Em vista disso, a sociedade brasileira não valoriza a própria história e nem reconhece sua raízes culturais. Assim, o crescimento da indústria capitalista e o desconhecimento da população agravam essa problemática.
Em primeira instância, é necessário mencionar o avanço dos mercados capitalistas como parte importante na perpetuação do problema. A indústria cultural -tema desenvolvido pelo filósofo alemão Theodor Adorno- basea-se na destruição da arte como um meio identitário de um determinado grupo e na transformação dessa expressão artística num canal de venda de mercadorias. A título de exemplificação, podemos citar a utilização do “Jeca Tatu” (um personagem literário do Monteiro Lobato) para a venda e divulgação do Biotônico Fontoura, deletando totalmente o papel social e cultural que a criação de Lobato tinha.
Em segunda instância, a falta de conhecimento do povo brasileiro da importância da cultura e da história popular ajudam na desvalorização de suas origens. O movimento modernista resgatou de múltiplas formas aspectos da pluraridade do folclore e das tradições nacionais com o objetivo de criar um sentimento de unidade entre os brasileiros. Apesar do nobre objetivo dos autores em integrar as pessoas, o conteúdo produzido a partir dos ideias modernistas permaneceu numa esfera elitizada, excluindo grande parte da população. Dessa maneira, grandes obras que valorizam a identidade brasileira como “Macunaíma”, caíram no esquecimento. Isso, infelizmente, é uma realidade no País.
Depreende-se, portanto, a necessidade da valorização da cultura da cultura popular como parte da construção da história brasileira. Para isso é esencial que o governo, em conjunto com o MInistério da Cultura, amplie o acesso a livros fundantes da história brasileira, como Urupês e o Cortiço, por intermédio do abaixamento do preço dos materiais e limite à atuação de grandes empresas no meio cultural. A fim de que o brasileiro deixe de ser um “Naciso às avessas”.