A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira
Enviada em 11/10/2022
A cultura popular tem um papel de extrema importância quando se trata da história brasileira, pois o povo está presente ativamente em grande parte dos eventos históricos. Entretanto, ela não é, muitas vezes, reconhecida ou sequer considerada parte formadora da sociedade. Isso se dá por conta da exclusão sistemática das participações do povo na história por parte das elites e do déficit educacional no que é conhecido como “descolonização”.
Em primeiro lugar, um trecho do samba-enredo da Mangueira “História Para Ninar Gente Grande” diz que existe uma “história que a história não conta”, fazendo referência ao apagamento da cultura popular na construção histórica do Brasil. Tendo isso em vista, pode-se afirmar que as mobilizações do povo são apagadas para dar lugar à supervalorização da participação de elites econômicas e políticas, como acontece com o louvor à Princesa Isabel, uma mulher branca e da nobreza, por ter assinado a Lei Áurea em 1888 e a desvalorização do Dragão do Mar de Aracati, um homem negro e pobre, líder da luta pela abolição da escravidão na província do Ceará, ressaltando as raizes racistas desse fenômeno.
Nesse sentido, Paulo Freire defende, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, que uma educação libertadora, em sua essência, é aquela que ensina o pensamento crítico ao estudante. Por isso, para que exista uma educação libertadora, também é necessário que haja a presença de um movimento que preze pelo reconhecimento e valorização de culturas e movimentos não-europeus também como partes formadoras da sociedade brasileira, ou seja, a descolonização. Apesar disso, o ensino descolonizador não está presente em todas as escolas, uma vez que a descolonização ainda é uma ideia em crescimento gradativo na consciência das massas populares.
Portanto, é imprescindível que o governo, junto ao Ministério da Educação, invista na democratização do acesso a um ensino que promova a descolonização, através de palestras conscientizadoras para os professores e campanhas nos meios digitais, para que, dessa forma, a participação popular nos eventos de formação da sociedade brasileira seja mais reconhecida e valorizada, atingindo, então, o objetivo proposto por Freire de educação libertadora.