A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 27/10/2022

No livro “Casa Grande e Senzala” - de Gilberto Freyre - o escritor deixa claro sua visão sobre a colonização do Brasil, em que, para ser considerado um país “desenvolvido”, a nação deveria se tornar branca. Dessa forma, é notório que o pensamento da obra de 1933 ainda perpetua-se, uma vez que, na educação brasileira, a cultura e a história europeia são muito mais estudadas do que as origens dos povos escravizados no território. Ademais, tal atrocidade persiste com a marginalização dos que foram dominados e com as desigualdades já existentes.

Consoante ao ensino - ou a sua ausência - uma sociedade é moldada. Assim, com o passado dos colonizadores tendo um maior enfoque nos estudos brasileiros, o povo permanece nesta cegueira para o que ocorreu com os indígenas e os africanos. Por exemplo: grande parte da população associa a Princesa Isabel ao fim da escravidão - por causa da Lei Áurea, de 1888 -; isto apenas acontece, pois sua ação é a mais citada nas escolas, mas e sobre a luta de Zumbi dos Palmares? A cultura pode mesmo ser valorizada com o “eurocentrismo” ainda tão presente?

Desse modo, para obter-se a resposta para estas perguntas, uma outra problemática necessita ser solucionada: o preconceito. Conforme ideias extremistas são intensificadas, a intolerência também é. Dados provenientes do relatório realizado pelo Conselho Indigenista Missionário, mostraram que ao longo de 2021 foram registrados cerca de trezentos e cinquenta e cinco casos de violência contra indígenas - sendo o maior índice desde 2013. Dessa forma, somente com a devida reparação histórica o mundo pode ser transformado.

Portanto, a cultura é a principal base para a valorização da ancestralidade brasileira e precisa ter a sua devida importância. Para isso, cabe ao Governo Federal - órgão responsável por garantir a cidadania - em parceria com o Programa Nacional de Apoio à Cultura implementarem projetos enaltecendo a cultura dos povos marginalizados, por meio de “workshops” - de danças típicas, por exemplo - e palestras sobre os costumes e a história deles, a fim de criar cidadãos mais conscientes e conectados a sua própria origem. Com isso, o Brasil pode realmente evoluir e se desenvolver plenamente, já que todos serão respeitados como pessoas e não mais julgados como “inferiores” em razão da sua cor de pele.