A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 09/10/2024

“Seu filho quer ser preto? Que ironia!”. A frase, exposta na música Negro Drama, expõe a realidade da marginalização da cultura negra no país, representando seu interesse como fato irônico. Hodiernamente, a supressão da cultura popular prejudica a formação da identidade nacional e inibe a importância da história nacional, no contexto da valorização unilateral de culturas específicas, e na realização do epistemicídio.

Diante desse cenário, torna-se imprescindível discutir sobre a deturpação da matriz nacional, mediante a negação de suas raízes. Acerca disso, segundo o antropólogo, Darcy Ribeiro, a constituição da cultura brasileira é, intrinsecamente, proveniente da mistura irreversível de três matrizes: a africana, europeia e indígena. Isto é, consoante a Ribeiro, apesar do âmago formacional da nação ser a miscigenação, o país é uma civilização incompleta por negar sua história e desvalorizar sua origem multirracial, sintetizando a falta de uma identidade nacional oriunda da valorização exacerbada da matriz europeia e marginalização da cultura negra, e indígena.

Outrossim, depreende-se que a falta de reconhecimento das bases antropológicas influi em uma grave tentativa de violência, em forma de apagamento étnico, pela cultura dominante. Relativo a isso, conforme a filósofa, Sueli Carneiro, a realização do epistemicidio é a mais séria consequência da negação histórica da cultura popular. Em outras palavras, a supressão social corrobora para o racismo estrutural e perpetua a destruição do cerne – miscigenado – brasileiro.

Portanto, é de suma importância que haja uma intervenção. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação efetuar mudanças na grade escolar primária, por meio da implantação de matérias sobre a história indígena e africana, além da realização de visitas escolares a aldeias indígenas e museus de cultura afro. Dessa maneira, ao utilizar a educação como a principal ferramenta para o reconhecimento dos constituintes da cultura e história brasileira, formar-se-á uma identidade civilizatória e, desse modo, diferentemente da realidade exposta em Negro Drama, a valorização da cultura negra não será mais uma ironia.