A importância da educação a distância no Brasil

Enviada em 31/10/2019

Se, para François Mauriac, romancista francês do século XX, separar a justiça da liberdade constitui um pecado social por excelência, para a sociedade brasileira hodierna não deveria ser diferente. Nessa perspectiva, os desafios da Educação a Distância, EaD, no Brasil afrontam não meramente as cláusulas pétreas fundamentais, mas o profundo debate de acessibilidade no país. Dessa forma, tal panorama denota uma amalgama de perspectivas e obstáculos, seja pelo alto potencial de transformação da EaD, seja perpetuação dos entraves e preconceito em tal forma de ensino.

Mormente, há de se postular que o ensino a distância cria uma atmosfera de elevadas possibilidades de inclusão digital e social. Pierre Levy, sociólogo francês, defende que o uso da internet permite uma virtualização do mundo real, fundamentando-se na democratização do conhecimento. Sob tal ótica, percebe-se que a pedagogia clássica sofre uma revolução. Cria-se, dessa forma, maior acessibilidade e alinhamento às formas atuais de comunicação, além de extrapolar as ‘‘Bastilhas acadêmicas" ao levar o conhecimento científico às pessoas historicamente vulneráveis. Por conseguinte, a educação a distância torna-se um sistema com alto potencial logístico de agregação da sociedade.

Outrossim, apesar de tal sistema educacional oferecer elevados benefícios, ainda é alvo de discriminações, alicerçadas à exclusão digital e à negligência institucional. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta jamais deve ser convertido em um mecanismo de opressão simbólica. Nessa lógica, o futuro da aprendizagem à distância depende da superação do atual pensamento coletivo que põe os modais digitais em detrimento do físico, posto que tal percepção subjuga a qualidade dos profissionais e desvaloriza o EaD. Instaura-se, consequentemente, um preconceito na sociedade que se observa no sucateamento dos cursos e com a perda da capacidade de investimento e melhoras.

Torna-se imperativo, portanto, um trabalho de diálogo entre a população e o Estado, bem como ações conjuntas desses segmentos. Primeiramente, é fundamental que o Ministério da Educação, junto às cátedras universitárias, busque a aproximação do ensino semi-presencial com o mercado de trabalho, através de um sistema de avaliação profissional regular que garanta subsídios a inclusão dos indivíduos a necessidade do mercado. Ademais, é importante que o Ministério da Ciência e Tecnologia, concomitante à mídia, elabore propostas de valorização dos cursos e do programa, por meio da divulgação de regras da EaD, além de propagandas que dê credibilidade à sociedade e o prestígio aos jovens. Apenas sob tal conciliação, haver-se-á a plena mitigação do preconceito a educação a distância, assim como a garantia do seu potencial de transformação digital e social.