A importância da educação a distância no Brasil

Enviada em 15/08/2019

Com a evolução econômica e tecnológica, o modo de transmissão de conhecimento também se transformou na mesma medida. Entre as décadas de 60 e 70, foi gerado o Código Brasileiro de Telecomunicações, que obrigou as emissoras privadas de televisão a terem uma parte de sua programação voltada para programas educativos. Nesse sentido, essas e outras medidas implementadas ao longo dos anos corroboraram para o crescimento do Ensino a Distância (EaD) no Brasil. Todavia, apesar das inúmeras vantagens que essa modalidade permite aos alunos, ela ainda enfrenta desafios relacionados à falta de infraestrutura e aos estigmas que tal formação carrega.

Em primeira análise, o século XX ficou marcado pela Revolução Informacional, responsável por implementar a tecnologia como parte da rotina diária de inúmeras pessoas. No entanto, tal advento não contemplou todas as camadas da sociedade, sendo que uma parcela considerável permanece sem acesso à tecnologia ou aos frutos dela, como a internet. Com efeito, o Ensino a Distância também passou profundas alterações, tornando-se acessível por meio de sites e aplicativos. Nesse cenário, o acesso restrito à internet e à tecnologia limita a Educação a Distância ao público que possui tais facilidades. De fato, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 40% dos domicílios brasileiros não possuem acesso à internet, o que evidencia a problemática enfrentada pelo EaD quanto à falta de infraestrutura tecnológica presente no país.

Outrossim, a partir da perspectiva do sociólogo Byung-Chul Han, vivemos numa sociedade do desempenho, a qual exige que os indivíduos se mostrem cada vez mais produtivos. Diante disso, alunos formados pelo Ensino a Distância enfrentam uma série de estigmas e estereótipos quanto à qualidade de sua formação, sendo constantemente desvalorizados. Por certo, a educação a distância foi conceituada oficialmente no Decreto nº 5.622 de 2005, o qual a reconhece como modalidade educacional que, por suas particularidades, incentiva a disciplina e autonomia dos estudantes ao longo de sua formação, qualidades essas também valorizadas no mercado de trabalho.

Fica claro, portanto, a necessidade de ações paralelas que visem a expansão do EaD. Cabe ao Governo Federal implementar o acesso à tecnologia às comunidades carentes, oferecendo incentivos financeiras às prestadoras de serviço da iniciativa privada para que se direcionem a esse mercado, a fim de expandir a educação a distância. Além disso, o Ministério da Educação deve firmar parcerias entre as instituições de EaD e as empresas, para que os alunos possam ingressar no mercado de trabalho por meio do estágio e com isso demonstrar as qualidades de sua formação. Espera-se, com isso, a disseminação do conhecimento para todo e qualquer indivíduo.