A importância da educação a distância no Brasil
Enviada em 12/09/2019
Nos últimos anos, a internet passou pelas três fases finais (desmonetização, desmaterialização e democratização) de um processo de seis passos para tecnologias de crescimento exponencial, denominado “os 6Ds” - termo esse cunhado pelo futurista Peter Diamandis. Na prática, quer dizer que ela vem se tornando amplamente acessível e ubíqua. Assim, tem ganhando inúmeras aplicações. É nesse contexto que surge o ensino à distância, com a missão de multiplicar, exponencialmente, o acesso à educação. Contudo, o potencial transformador do EAD é suprimido no Brasil, devido a desafios como o preconceito em relação à modalidade e a necessidade de ampliar o acesso populacional a dispositivos conectados à internet.
Difundir o acesso à educação - um dos benefícios do ensino à distância - traz ganhos de amplo espectro para qualquer sociedade; inclusive, ajuda a proteger as democracias, como defendia Franklin Roosevelt. Já no contexto brasileiro, existem ganhos específicos, que se relacionam com peculiaridades do país. Em primeiro lugar, tais ganhos se devem à dinâmica populacional. Os principais centros urbanos são gentrificados e apresentam problemas de mobilidade; e, fora deles, a população é dispersa por áreas rurais e pequenas cidades, por vezes longe de metrópoles, posta a geografia continental brasileira. Desse modo, a população pode se beneficiar em abundância da liberdade geográfica da educação online. Por fim, o EAD, opção que - devido à escalabilidade - tende a ser mais barata, beneficia uma população que passa por cortes de verba pública para financiamento da educação.
Entretanto, na contramão de todos esses ganhos, o país ainda possui algumas barreiras para a difusão da modalidade. Primeiramente, nem toda a população é conectada. Nas classes A e B, são 90% das pessoas, contra apenas 42%, nas classes D e E. Já nas áreas urbanas, são 70% das pessoas que possuem acesso a internet, contra 44% nas áreas rurais. Atrapalha, também, a alta carga tributária sobre aparelhos eletrônicos. Por fim, o mercado de trabalho é conservador - por vezes, desconfiando das qualificações de um candidato educado à distância.
A partir do exposto, torna-se evidente que os brasileiros tem muito a ganhar com a difusão da educação à distância. Desse modo, visando fortalecê-la, ONGs deveriam direcionar esforços para amplicar o acesso ao EAD em grupos de menor renda, visto que, com o mesmo capital, consegue-se impactar mais pessoas do que com estruturas físicas de ensino. Além disso, deveriam ser oferecidos incentivos econômicos (como isenções fiscais) para empresas de telecomunicações atenderem áreas com menor densidade populacional e/ou de difícil acesso, uniformizando a conectividade pelo país.