A importância da educação a distância no Brasil
Enviada em 31/10/2019
‘‘Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que, vendo, não veem’’. O excerto do livro ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’,’ de José Saramago, critica uma sociedade invisual ao seu contexto. Analogamente, tal obra ilustra o cenário contemporâneo, uma vez que o corpo social é inobservante sobre a importância da educação a distância no Brasil, fruto da negligência governamental e de configurações inferiorizantes.
A princípio, a negligência estatal emerge como influenciador do quadro vigente. Nesse sentido, o iluminista Rosseau afirma o papel do Estado em garantias sociais, contudo a prática deturpa a teoria. Outrossim, isso se evidência na falta de órgãos que fiscalizem a qualidade do Ensino a Distância (EAD), haja vista que, de acordo com o Ministério da Educação, 58% das instituições que oferecem tais cursos possuem nota abaixo da média. Dessa forma, é inaceitável que o Poder Público permita que a superficialidade e o imediatismo presentes, muitas vezes, na internet, se desloquem para essa modalidade de graduação com excelência questionável.
Não obstante, o preconceito contra as salas virtuais corrobora a invisibilidade da sua importância. Mormente, isso decorre pela valorização da pedagogia tradicional, na qual os alunos são agentes passivos, ao invés de protagonistas do aprendizado. Ademais, a sociedade, então, por tender a incorporar estruturas sociais nas quais são impostas à sua realidade, conforme o sociólogo Bordieu em sua teoria ’’ Habitus’’, naturalizou tal comportamento de modo a reproduzi-lo ao longo do tempo. Dessa maneira, é inadmissível que o tecido social não tenha a percepção de que o EAD se tornou precursor da democratização do ensino que, de maneira flexível, possibilita a inserção das camadas menos favorecidas no âmbito acadêmico.
Torna-se evidente, portanto, que há entraves para consolidar a descentralização do conhecimento. Logo, o Ministério da Educação, tendo em vista seu papel em implementar políticas públicas no campo educacional, deve regulamentar essa modalidade por meio de exigências para as faculdades que ofereçam cursos não presenciais. Ademais, essa ação será realizada com provas em ambientes físicos que promovam o contato entre os alunos e professores para acompanharem o desenvolvimento estudantil. Destarte, o órgão competente também avaliará a qualidade das plataformas digitais por meio de especialistas no assunto, com o intuito de oferecer aos indivíduos uma formação segura. Sendo assim, como proferiu Saramago, ’’ Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.’’