A importância da educação a distância no Brasil
Enviada em 14/05/2020
A pandemia de covid-19 que atingiu o Brasil em meados de março de 2020 fez com que houvesse a suspensão das aulas e a substituição pelo ensino remoto. Nesse contexto, a educação a distância (EAD) mostra-se de extrema importância para o Brasil, país de extensões continentais, na promoção do direito de educação para todos, garantido pela Constituição Federal de 1988, pois elimina a barreira física entre o professor e o aluno. Com efeito, faz- se necessário construir um Estado pautado na valorização dessa ferramenta educativa.
Nesse particular, é fundamental sobrelevar a EAD em um viés histórico no qual remete aos anos 60, quando surgiram as televisões educativas que visavam capacitar pessoas ao domínio de determinadas habilidades. Nesses termos, é conspícuo, a partir desse excerto, que a descentralização do conhecimento, sobretudo, com o incremento da internet, é um propósito que amplia o acesso à educação, de modo a atingir uma parcela da população a qual não se encaixa no modelo tradicional de ensino. No que tange a essa problemática, o sociólogo Manuel Castells entende que o capitalismo originou uma sociedade conectada em redes, em que as instituições físicas não são mais responsáveis pelo acúmulo de informações, e que é necessária a adaptação às novas tecnologias. Logo, é notório que a diversificação dos métodos de ensino é essencial para garantir o direito à educação.
Contudo, é alarmante que, muitas pessoas ainda não possuam acesso a computadores e a internet de qualidade em casa, como mostram as pesquisas divulgadas em 2019 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, em que 58% dos domicílios brasileiros não têm acesso a computadores e 33% não dispõem de internet. De fato, o EAD está em crescimento e é na internet que estão presentes os principais aparatos que permitem a disseminação do conteúdo das aulas. Em verdade, sem dispor de tal instrumento tecnológico muitos indivíduos são prejudicados. Em síntese, com a disponibilidade de alcance ao EAD mediada pelo acesso à internet, que é deficitário, a democratização torna-se inviável.
Portanto, são necessárias ações efetivas dos agentes sociais para fortalecer a modalidade de ensino a distância. Para tanto, o Ministério da Ciência e da Tecnologia deve estabelecer “hotsposts”, pontos de conectividade gratuitas, em locais públicos como praças e parques, principalmente nas regiões menos atendidas, por meio de parceria entre as empresas de telefonia a fim de diminuir a exclusão digital. É possível, também, que a Escola, ofereça laboratórios de informática para a utilização de computadores. Dessa forma, todas as possibilidades oferecidas pelo EAD no Brasil serão de fato utilizados para reduzir a exclusão social que caracteriza a realidade racional.