A importância da educação a distância no Brasil
Enviada em 31/08/2020
O sociólogo espanhol Manuel Castells, em seu livro “Sociedade em rede”, disserta sobre as perspectivas de uma sociedade cujas relações ultrapassam o espaço convencional e, no que tange ao ensino, possibilita a disseminação do aprendizado. Nesse sentido, apesar de a educação a distância (EAD) ser fundamental para a descentralização do acesso ao saber ainda existe preconceito.
Diante desse contexto, o documentário brasileiro “Pro dia nascer feliz”, embora não trate sobre a educação virtual, ajuda a compreender como a centralização do ensino produz excluídos. Nessa perspectiva, a obra denuncia como a má distribuição territorial das escolas, que se concentram fortemente nos centros urbanos, nega à parcela expressiva da população, que vivem em regiões interioranas, o direito a educação. Fora do âmbito cinematográfico, a analogia é clara: evidencia-se que a eliminação das barreiras físicas entre aluno e professor sempre foi uma necessidade.
Em segundo plano, cabe destacar que o preconceito contra as salas virtuais corrobora para a invisibilidade de sua importância. Nesse contexto, o sociólogo Pierre Bourdieu analisa, em seu conceito de “Habitus”, o processo no qual a sociedade naturaliza determinado comportamento de modo a irrefletidamente reproduzi-lo ao longo do tempo. Assim, o pensamento de Bourdieu se relaciona ao cenário de desvalorização da educação remota, no qual, por fatores culturais, não é reconhecido a relevância da modalidade na disseminação do conhecimento.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, visto que é a pasta responsável pela educação equânime no país, fomentar campanhas que tratem da importância da EAD na inclusão social com a finalidade de mitigar a discriminação sobre essa modalidade, mediante a utilização de linguagem simples e compreensível.