A importância da educação a distância no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Edgard Roquette-Pinto, um dos fundadores da primeira empresa radiofônica brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, expôs que: “o rádio é o jornal de quem não sabe ler, é o mestre de quem não pode ir à escola”, de modo a demonstrar as raízes da modalidade não presencial no país. Assim, é fundamental notar que ainda hoje as tecnologias de informação e comunicação, exemplificadas na educação à distância (EAD), auxiliam na democratização do ensino. Contudo, a efetivação dessa ferramenta enfrenta obstáculos como a exclusão digital e da omissão estatal.

A princípio, verifica-se que a distribuição desigual do acesso à internet no país torna o EAD um serviço inconciliável para parte dos indivíduos. Nesse viés, é evidente apontar que essa restrição informacional advém da desigualdade social regional, em que apenas as pessoas de maior poder aquisitivo, as quais concentram a renda, possuem pleno acesso à plataforma educacional, enquanto a parcela mais pobre tem sua cidadania depreciada. Logo, a manutenção desse aspecto é observada pela pesquisa da TIC Domicílios 2019, na qual 35% da parcela majoritária das instituições de ensino públicas ainda não possuem domicílios com qualquer alcance à rede. Como desdobramento, tal hábito amplia os índices de evasão escolar, em razão da escassez de auxílios aos cidadãos desconectados.

Além disso, a indiferença do Estado frente ao desenvolvimento da plataforma educacional remota figura um cenário precário no Brasil. Nessa perspectiva, a obra “Cidadão de Papel”, escrita por Gilberto Dimenstein, ressalta a ineficácia da igualdade dos recursos sociais, que têm como principal interventor para garantir esses direitos o poder público. Paralelamente, constata-se que a postura assumida pelo governo da nação verde-amarela age em concordância com o pressuposto de Dimenstein, dado que há uma alarmante falta de investimentos no setor do EAD, gerada pela visão da educação como mercadoria e não como uma garantia coletiva. Consequentemente, evidencia uma multidão de “cidadãos de papel” entre os tupiniquins, de maneira a amplificar a crise econômica e social.

Portanto, diante do exposto, intervenções capazes de firmar a relevância da educação à distância são improrrogáveis. À vista disso, o Estado, através do Ministério da Infraestrutura, deve implantar um sistema de serviços digitais e sala de recursos multifuncionais em locais interioranos, por meio da construção de bibliotecas equipadas com computadores e internet, além de profissionais para auxiliar os estudantes no acesso, a fim de integrar a parcela marginalizada. Ademais, por intermédio do Ministério da Educação necessita realizar a formação do corpo docente, com cursos preparatórios para aprender a usar as ferramentas digitais, bem como incentivar a cobrança pelo acesso aos direitos da classe estudantil, com efeito de cumprir o papel transformador do ensino.