A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 08/10/2019
O filme ‘‘Os delírios de consumo de Becky Bloom’’ retrata a vida de uma jornalista que escreve sobre finanças pessoais mas, de forma contraditória, sofre por ser consumista e, por isso, assiste a própria vida econômica, social e profissional ruírem. Nesse sentido, é preciso notar a relevância da educação financeira pois, consoante à ficção, a realidade dos brasileiros é trágica, uma vez que cerca de 40% da população encontra-se endividada, de acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Por isso, urgem medidas para reverter esse cenário.
Nesse contexto, deve-se considerar a existência de diferentes motivos que explicam essa situação. Pode-se pensar, a priori, no defasado currículo escolar do país que, geralmente, abrange a matemática de forma inflexível, cuja maioria dos jovens tem dificuldade de entender e aplicar no dia-a-dia, haja vista que 7 em cada 10 alunos formam com nível insuficiente dessa matéria, de acordo com o Ministério da Educação. Ademais, culturalmente, o brasileiro não possui uma relação saudável com o dinheiro, devido ao ensino jesuíta do século XVI que condenavam a acumulação de capital. Esse pensamento perdura na sociedade moderna e é o principal responsável por confundir educação financeira com ambição, um dos sete pecados.
Dessa forma, é possível observar as consequências desse panorama. Um deles relaciona-se à afirmação de Freud, de que as ações aprendidas na infância refletem na vida adulta. Disso, é possível concluir que uma educação financeira defasada na juventude produzirá indivíduos que integrarão a População Economicamente Ativa (PEA) do país, mas que serão ignorantes quanto à economia e não conseguirão conciliar os próprios gastos, endividando-se. Além disso, é notável o abuso da mídia nesse aspecto, pois ela incentiva o consumo supérfluo por meio de diversas condições de pagamento, o que seduz o indivíduo e induz, também, a mais despesas.
Portanto, para alterar essa situação, é preciso que o Estado atue por meio do Ministério da Educação, instituindo diferentes alternativas para ensinar educação financeira, no que tange principalmente a matemática, respeitando as dificuldades de cada aluno, como é feito no Projeto Escolas Transformadoras. Assim, os jovens aprenderiam e se tornariam conscientes sobre autonomia financeira ao invés de aumentar as estatísticas do SPC.