A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 12/10/2019

A dificuldade do brasileiro de controlar o orçamento doméstico é um tema social relevante desde a crise de 1929, como mostra o enredo de “Os Ratos”, escrito por Dyonélio Machado, na década de 1930. No romance, um pai de família vê-se endividado por conta dos gastos cotidianos e sai em busca de dinheiro para pagar a conta do leite, o que o leva a contrair empréstimos e aumentar seu endividamento.. Essa estória ilustra a importância da educação financeira na vida do cidadão como forma de capacitá-lo a controlar o orçamento doméstico e planejar a aquisição de bens para sua família.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o sistema de ensino de brasileiro é falho em capacitar os estudantes para o controle de finanças na vida adulta. Prova disso é que 4 em cada 10 brasileiros adultos encontram-se na lista de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito, atualmente. Esse alto índice de inadimplência demonstra que os cidadãos estão gastando mais do que recebem, ou seja, não sabem controlar seu orçamento. Tal fato revela que a escola está falhando em formar cidadãos com noções básicas de economia e finanças, o que é corroborado pelos baixos índices de acerto de questões envolvendo finanças e juros nas provas do PISA - exame internacional que testa as habilidades de alunos de diferentes países nas várias áreas do conhecimento.

Em segundo lugar, a educação financeira é importante para que os cidadãos possam adquirir os bens que desejam ao longo de sua vida. Nesse sentido, é indubitável que o planejamento financeiro é essencial para que bens como casa, carro ou eletrodomésticos possam ser adquiridos pelas famílias brasileiras, tendo em vista que metade dos lares no país são mantidos com renda mensal de 1 salário mínimo, segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD). Nessa condição, torna-se inevitável que o cidadão parcele o pagamento de suas compras, incidindo juros complexos sobre a dívida, o que leva, muitas vezes, ao descontrole das finanças da família.

Diante do exposto, urge que o Ministério da Educação (MEC) atue para oferecer educação financeira aos cidadãos brasileiros, por meio da criação de uma disciplina de “Economia” a ser ministrada por docentes com especialização em matemática, a partir da 5ª série até o último ano do ensino médio, com 1 hora/aula semanal. Ademais, o MEC deve oferecer cursos sobre finanças pessoais abertos à comunidade, nas escolas, ministrados por esses mesmos professores, a fim de que jovens e adultos brasileiros possam usufruir de seus recursos financeiros para viverem bem,sem a angústia do endividamento experimentada pelo pai de família da obra de Dyonélio Machado.