A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/10/2019

Após a crise de 29, no século XX, intensificou-se, no mundo e no Brasil, uma característica prejudicial ao desenvolvimento econômico e social de um indivíduo: o consumismo. Nesse sentido, esse modo de consumo está diretamente ligado à carência de educação financeira na população, reflexo da falta de atuação pública voltada à promoção de consciência econômica nos brasileiros. Assim, é palpável afirmar que a educação financeira é de extrema importância para a formação de um cidadão responsável e, consequentemente, para a redução dos danos causados, ao meio ambiente e ao indivíduo, pelo modo compulsório de consumo.

Sob esse viés, mostra-se evidente que a carência de ação governamental em relação a instituição de educação financeira nas escolas públicas é um empecilho na formação de cidadãos responsáveis economicamente, já que na era atual - na qual o capitalismo rege as relações - a maioria da população se encontra em um estado de alienação. Isto é, após a chamada Grande Depressão, o capitalismo se fortaleceu por meio da política no New Deal e, com isso, cresceu a fabricação de produtos não duráveis com o objetivo de haver uma compra regular, mesmo que desnecessária, pelos consumidores. Em virtude disso, grande parte dos brasileiros realizam compras de maneira inconsciente, guiada por uma rede manipuladora como é abordada no documentário “O século do eu” de Adam Curtis, fato ratificador do número de cidadãos, cerca de 41% da população adulta, conforme dados do SPC, que terminaram 2018 com alguma conta inadimplente e CPF negativado.

Ainda nesse contexto, a falta de educação financeira também afeta a qualidade de vida de um indivíduo, porquanto é prejudicial ao meio ambiente. Ou seja, o consumo de maneira irresponsável traz danos, na maioria das vezes irreversíveis à natureza, e, consequentemente, ao ser humano, visto que os recursos naturais, indispensáveis à vida, são utilizados de maneira insustentável para atender às demandas do mercado. Logo, ressalta-se a indispensabilidade do ensino financeiro nas escolas, pois, além de proporcionar ao cidadão maior conhecimento e controle no que diz respeito aos seus gastos, também forma pessoas mais conscientes quanto aos problemas ambientais e sociais.

Torna-se visível, portanto, que o atual cenário brasileiro revela a falta de atuação governamental para reverter o problema da compra excessiva. Desse modo, com o fito de promover a conscientização dos cidadão acerca do consumo responsável, é necessário que o Estado, por meio do direcionamento de parte da verba voltada ao ensino, institua nas escolas a educação financeira, de modo a financiar a profissionalização de professores para abordarem temas como o perigo do consumismo e maneiras corretas de administrar dinheiro, para então garantir a formação de cidadãos cientes de seus atos.